Conto de Ryu Lucem – Capítulo 1 – O encontro com a rainha dos dragões – Tiamat

6 de agosto de 2017

Conto narrado pelo escriba Ryu Lucem (clérigo de Lathander – Jogador William Jefferson Barboza – estudante do 2º ano do ensino médio do curso integrado em informática)
Aventura do dia 29 de março de 2017 no projeto RPG na escola, coordenado pelo professor Helltonn Winicius.

 

E lá estávamos nós, em mais uma luta pela sobrevivência, era um Mago Lich, um dos seres mais poderosos que já tínhamos enfrentado. Estávamos à beira da vitória, até que Paldemar, o mago lich, usou os poderes mágicos da pirâmide de ouro para invocar o avatar de Vecna, o deus maligno dos segredos e do conhecimento. Entretanto, o poder para invocar a divindade por meio da pirâmide de ouro era enorme, algo deu errado durante a invocação e a linha do espaço-tempo foi rompida nesse processo.
Fomos sugados para uma dimensão obscura, uma fenda temporal entre o aqui e o lá, havia um solo, pisávamos nele, entretanto o horizonte e tudo que nos cercava a aproximadamente 300 metros era o firmamento. Paldemar não estava mais lá, apenas o avatar de Vecna nos fitava como um lobo astuto diante de suas presas fáceis. Ele então emiti uma pequena risada irônica desaparecendo em uma fumaça negra. Eis que um imenso portal se abre, algo muito mais amedrontador estava saindo dele, mas ainda não sabíamos o que era: a criatura que saia de dentro do portal possuía garras enormes e afiadas. Poucos segundos depois, pensávamos que se tratava de um dragão, vermelho pela coloração das escamas, mas estávamos enganados, a criatura apresentava mais cabeças dracônicas! Uma para cada tipo de dragão cromático existente: uma vermelha, uma negra, uma verde, uma azul e uma branca. O corpo da criatura monstruosa finalmente surge soberana a nossa frente.
— TIAMAT – Gritou Donovan.
—O DRAGÃO – Todos complementaram.
Tiamat, ao ver criaturas tão pequenas e fracas, finca suas garras no solo, ergue suas cabeças para cima, como se estivesse puxando o ar cósmico para os seus pulmões, se preparando para lançar o seu poderoso sopro. E antes mesmo de ser atingido pelo sopro eu já sentia como se minha vida estivesse sendo sugada para dentro de Tiamat, senti um calafrio na espinha, como se toda a esperança tivesse perecido, olhei rapidamente para meuscompanheiros de jornada, o medo que sentia evitava que eu falasse qualquer coisa, mas em meu coração eu estava agradecido pela companhia deles depois de tantos desafios enfrentados e algo em minha consciência ainda me dizia que eu não poderia perder a minha fé.
Uma tormenta de fogo, gelo, ácido, eletricidade e gás é soprada por Tiamat devastando tudo a nossa frente, o solo era arrancado como folhas secas que são erguidas pelo vento. Mas nesse momento, um cone de luz rompe o espaço e se pôs entre nós e a tormenta de nossa iminente desgraça, do cone de luz surge uma mulher de aparência angelical, cabelos dourados, vestes brancas combinadas com peças de uma armadura de platina. Esta mulher olha para nós e em meio a todo aquele caos de energia, eu consigo sentir paz, o meu coração é repentinamente aquecido pelo olhar daquela mulher que eu já tinha visto em meus sonhos, tratava-se daquele ser de amor que me criou desde de minha infância: minha mãe, Liriel Lucem, que quando eu ainda enquanto criança, teve que me deixar para seguir sua jornada em defesa do equilíbrio do mundo, sendo conhecida como Liriel Luz da Aurora.
E antes que a tormenta de Tiamat pudesse nos alcançar, ela conjura escudos protetores que envolvem cada um de nós separadamente, os escudos pareciam grandes globos de vidro que emitiam uma luz dourada e suave mas forte o suficiente para deter o ataque de Tiamat. Víamos a tormenta passando pelos nossos olhos através daquele escudo, a pressão era imensa, eu conseguia sentir de dentro do escudo protetor, um turbilhão de energias caóticas sedento para tomar nossas vidas. Minha pele tremia, meus músculos travados sem conseguir fazer se quer um único movimento, minha respiração quase que chegava a parar, uma tempestade de poder e destruição produzia um barulho ensurdecedor que parecia não ter fim.
O escudo conjurado por minha mãe começa a rachar, parecia não ser o bastante para deter aquela tormenta, afinal ela estava vindo da própria Tiamat! Meus olhos demonstravam o pânico que sentia, havia acabado de encontrar minha mãe, depois de tantos anos separados! Eu não poderia morrer agora! Não nesse lugar! Não sem poder falar para ela sobre todo o amor que sinto apesar de nossa tenra separação, dizer a ela que eu a entendia, que eu a compreendia por ter me deixado, lágrimas inevitáveis corriam em minha face.
Algo parece se modificar naquele escudo protetor, transformando o meu desespero em esperança, uma nova barreira, dessa vez azulada, revestira gradativamente o escudo de minha mãe, restaurando as rachaduras provocadas pelo sopro de Tiamat, garantindo a nossa sobrevivência. Pouco tempo depois, a tormenta passa, e lá estava ela, Tiamat, soberana, olhando para nós, tentado entender como seres insignificantes sobreviveram ao seu poderoso sopro épico, ela olha mais atentamente, e vê que ao lado de Liriel, estavam mais duas pessoas, com vestes arcanas, uma segurava um cajado negro, era Khelben, e do outro lado, um arcano com um cachimbo em punho, o próprio Elminster.
— Agradeço pela ajuda, nobres amigos de jornada, por terem me ajudado a salvar nossos aventureiros, da tirania em forma de sopro de Tiamat– Disse Liriel. Khelben entendendo a pressão do momento limita-se a fazer um pequeno gesto de confirmação com sua cabeça, enquanto Elminster esboçou um leve sorrido para ela.
Quando nada mais poderia me surpreender, percebo então que um de meus amigos de jornada, Goik III, o bárbaro, começa a golpear o escudo protetor com o seu machado, sedento por sangue e pela morte de Tiamat. Após o agradecimento de Liriel, uma vozes guturais pulsantes como trovão rompem o espaço, ao olhar para Tiamat, percebia o ódio na expressão de suas cabeças, enquanto dizia:
— Você elfa! Não se esconda por trás das sombras!
Do nada e próximo a nós, surge uma figura de cabelos prateados, vestindo uma armadura élfica de Mitral e com duas espadas curtas em punho, era Storm Mão Argentua.
—Perspicaz Tiamat, faz jus a divindade que és— Disse à elfa impressionada com a visão de Tiamat.
—É inútil se juntarem contra mim, o mundo de vocês cairá – Tiamat ameaçou
—A ruina do mundo é certamente o fim inevitável, mas este dia não será hoje, e não será provocado por suas garras – Respondeu Khelben.
Liriel então começa a falar palavras em uma língua estranha, iniciando o que parecia ser um ritual: ela lança cinco pequenos pergaminhos que ficam suspensos no ar, posicionando-se no entorno dela, eles se abrem magicamente, revelando escritos divinos que brilham e começam a lançar fios de luz conectando-se uns aos outros, formando ao final uma estrela de luz no entorno de Liriel, e batendo a base de seu centro no chão, feixes de luz se erguem aos céus, se transformando em pequenas estrelas suspensas no espaço.
Ao mesmo tempo, nossos escudos se desfazem, o bárbaro não controlando o seu instinto selvagem, percebe a excelente oportunidade de se vingar de Tiamat, de tudo que ela fez em sua tribo por meio de seus cultistas, e então parte para o ataque sem titubear, percebi em sua face que ele apenas queria morrer horando o seu deus e sua família, mas Elmister ergue a mão e símbolos arcanos surgem no ar indo em direção de Goiki III, deixando-o imobilizado, antes de chegar perto da deusa draconiana.
– Domine seus instintos bárbaro; disse ele; sei de sua sede por justiça e vingança, mas esse não é o seu momento… ainda. Disse Elminster.
O nosso companheiro de aventuras, o guerreiro Joseph, se aproxima de mim e me pergunta:
— Aquela não é sua mãe?
Realmente era minha mãe, mas eu ainda não conseguia acreditar no que meus olhos estavam vendo, ela não deveria estar ali, deveria estar em uma missão, nas profundezas de uma cratera que tinha se aberto ao sul de Toril, não sabia o que falar, nem o que responder, apenas a olhava, admirando o seu poder. E pensar, que a mulher que eu procurei por anos estava ali, na minha frente, e eu como sempre, impossibilitado de poder ajudá-la em batalha como acontecia em meus sonhos.
Donovan, o bardo, vem em minha direção e comenta sobre a beleza da mulher de cabelos dourados, até que eu disse que era minha mãe, ele ficou meio chocado com aquilo e disse: perdoe-me nobre companheiro, mesmo em meio ao caos desta batalha, não tive como não contemplar a beleza de tua mãe! Não tínhamos tempo para conversar, Tiamat iria desferir um golpe poderoso com suas asas, mas nesse momento, surgem duas muralhas de energia adjacentes a nós, percebi que elas tinham sido conjuradas por Khelben, impedindo o ataque. Tomada de ira ela então se prepara para lançar o seu sopro épico novamente, mas eis que nesse momento Liriel diz
— Jovens aventureiros, precisaremos de vossas bênçãos! Os artefatos que vocês receberam em sua jornada precisarão ser sacrificados para que possamos derrotar Tiamat!– enquanto bate o cetro no chão, nossas armas começam a brilhar intensamente. Primeiro foi a lira de Donovan, que sai da mão dele indo aos céus, ela explode em luz, e dois anjos saem de dentro dela, um dos anjos olha para Tiamat e fala algumas palavras em extraplanar ao mesmo tempo que Liriel – “Beneficentia, emundabit Avaritia!! Em seguida, um dos anjos conjura na palma da sua mão fios dourados que partem em direção da cabeça negra da deusa dragão. Os fios eram tão resistentes quanto aço que conseguiam prender a face negra de Tiamat, impedindo que o sopro de ácido fosse lançado. Com extrema força, Tiamat tenta mover sua mandíbula de forma a tentar libertar-se dos fios, nesse momento o segundo anjo diz: Et Castitate judex aviditas appropinquabit! Ele entãoconjura mais fios dourados, e assim conseguem juntos prender definitivamente a mandíbula negra dela.
Logo a pós isso, meu cetro também subiu aos céus se transformando em uma grande esfera de luz, tão brilhante quanto o sol, a esfera direciona um poderoso raio de luz na cabeça azulada deixando-a temporariamente cega e desconcentrando-a de seu sopro. Vindo da esfera, consegui escutar uma voz, que dizia – “Caritas compellet Invidia” e de alguma forma, entendi o que ela dizia, “que a caridade constranja a inveja”
O arco de Ivellios começou a tremer, e também sobe aos céus, mas ele se transforma em um grande centauro espectral com chifres de cervo, segurando um poderoso arco no formato de galhos de cedro, de sua mão, nasce uma flecha de energia envolta por um turbilhão de folhas translucidas, ele então diz ao mesmo que Liriel “Pudores convertere Luxuria”, a flecha
atinge Tiamat e é possível ver que o turbilhão de folhas começa a circular entorno da face verde do dragão, impedindo-a de lançar o sopro épico.
O machado do Goik III vai aos céus, ele explode em chamas, transformando-se em um dragão dourado repleto de tatuagens tribais, ele então diz “Diligentia exitium Teporis Torporibus”, compreendendo de forma sobrenatural o que foi dito pelo dragão dourado, nosso companheiro Draconato Goiki III, traduziu para nós dizendo “Que a negligencia destrua a preguiça”. O sopro de fogo percorre a cabeça branca de Tiamat. Liriel vai à frente e clama
— O grande deusa da lua, abençoe pelo poder das estrelas, a família Joestar.
Um cone de luz se forma ao redor de Joseph, foi possível ver que as chamas de fogo e o gelo emitidos por sua espada, se transformaram em um fogo prateado, a espada sobe aos céus, se tornando uma grande estrela prateada que lança uma grande centelha de luz na cabeça vermelha do dragão. Tiamat começa a se debater para tentar sair das barreiras de energia criadas pelas nossas armas artefato. Enquanto Khelben e Elmister falam algumas palavras em arcano erudito, eles criam uma ponte de energia que se ergue até o infinito, e de lá surge um pequeno cometa de luz que alcança a base da escadaria com grande velocidade, revelando se tratar de um avatar de Mistra, a deusa da magia.
— Oh! Senhora da magia! Não temos muito tempo! Os fragmentos da trama que foram reunidos até aqui não foram suficientes para te trazer por completo, mas pelo menos conseguiste enviar um de seus avatares , somos gratos por isso! Precisamos de sua intervenção. Disse Khelben.
O bardo Donovan parecia em eufórico, seus olhos maravilhados ao ver tamanho embate demonstravam confiança, imagino que historias ele cantaria a partir de hoje. — Acho que não seria prudente falar para ela que será aprisionada, disse o bardo referindo-se a Tiamat.
—Sei dos esforços de vocês para me trazer de volta do limbo perdido, invoquei um sopro de minha existência para auxiliá-los neste certame, mas não serei eu quem irá derrotá-la, mas o grande rival da deusa dragão, o senhor dos dragões prateados, disse o avatar da Mistra.
Ela começa a falar em uma língua, aparentemente mais antiga que o próprio arcano erudito, abrindo um portal, onde podemos ver um grande castelo prateado, envolto a um lago tão brilhante quanto as estrelas, tratava-se de um linda visão de Celéstia, algo que eu só tinha visto em pinturas de artistas inspirados da igreja de onde vim. De dentro das águas surge um grande dragão prateado que voa através do portal, tratava-se do próprio Bahamut, o deus dos dragões metálicos, ele diz:
— Tiamat, nós encontramos novamente!
Com a voz tão poderosa e estrondosa como um grande trovão no meio de uma tempestade. O dragão paira no céu, exercendo uma poderosa pressão sobre o solo. Ele começa
a concentrar uma grande energia em sua mandíbula, parecia que estrelas estavam sendo sugadas para dentro de sua poderosa mandíbula, ele se concentra e lança um cone de energia no coração de Tiamat. O cone perfura Tiamat e Liriel começa a falar algumas palavras magicas em uma língua extra planar: Humilitatem extinctus Superbia. Tiamat começa a se deteriorar com o grande poder de anjos, do sol, do centauro, das estrelas, do dragão dourado e do próprio Bahamut, mas mesmo com tudo isso, ela tenta resistir. Eis que nesse momento, uma nuvem negra surge próxima a Tiamat, e dela, surge Vecna, olhando tudo que estava acontecendo e como uma raposa sorrateira, aproveita-se da situação e falando palavras arcanas tão antigas quanto as de Mistra, o deus lich conjura caveiras espectrais em sua mão, pude perceber a face preocupada de Mistra. Vecna então fala:
— Miterju nojti areja alme!
Eis que escuto em minha mente a voz de minha mãe: Fique atento meu filho, Mistra revelou-me que Vecna pretende fragmentar a alma de Tiamat. Fiquei preocupado com a atitude de Vecna, qual seria o seu real intuito nisso?
Várias mãos esqueléticas espectrais e esverdeadas são conjuradas pelo deus lich, elas seguem pelo solo deixando um rastro de destruição segundo na direção de Tiamat, ao alcançar o corpo da deusa dragão, elas vão se espalham por todo o corpo da deusa draconiana rasgando o seu corpo e provocando uma poderosa explosão.
Nossos épicos aliados não puderam fazer nada, entendi que Elmister e Khelben não tinham como impedir a magia de Vecna, por que se eles fizessem qualquer outro movimento, poderiam perder a concentração da ponte arcana que possibilitou a intervenção do avatar de Mistra. Deduzi ainda que o avatar de Mistra não conseguiria impedir Vecna e manter o portal de Bahamut. o Avatar de Mistra fecha os olhos, e expressa um semblante de dor contida e em seguida sussurra algo que não consegui compreender.
O corpo de Tiamat foi então pulverizado, os seres produzidos por nossas armas artefato desaparecem, e do que antes era um corpo de Tiamat, surgem, suspensas no ar, sete gemas esverdeadas que começam a levitar ao encontro de Vecna. Antes que ele possa conseguir pegar as gemas, uma arvore cósmica surge do solo, próxima a mistra, e de dentro da arvore surge Mielikki, a deusa da caça. Ela olha, para as gemas que seguem em direção a Vecna, e apenas com um olhar para Mistra ela compreende a situação e entende que precisa intervir. Ela então conjura um arco e flecha translúcidos, dispara a flecha que ao atingir o espaço onde as gemas estão, cria um globo de luz envolvendo todas as gemas, todos escutam uma risada sarcástica, um homem pequeno e esguio, trajando roupas negras e semelhantes as de um ladino infiltrador surge de um portal dimensional próximo ao globo de luz.
— Não será dessa vez Mielikki, a caça será frustrada, pois as brumas cercam o pequeno pássaro!
Mistra, reconhecendo reconhece a voz e logo revela a identidade do homem:
— Ciric! Sua raposa sorrateira! Não permitirei que suas ambições egoístas, que suas alianças inescrupulosas desestabilizem mais uma vez o mundo de Abeir-Toril.
Compreendi então que se tratava do deus da enganação e traição
— Companheiros, parece que as coisas estão se tornando mais complicadas; disse Donovan, enquanto isso, Ciric vai até o globo de luz e tocando-o. – “Não vai querer ficar com o prêmio só para si não é mesmo Vecna hihihihi” diz Ciric, ele então começa a duplicar as gemas, as sete gemas viram quatorze.
O nosso companheiro guerreiro Joseph, em um lampejo de insanidade ao meu ver, pega uma de suas botas e joga nele. Ciric olha para a atitude do guerreiro e esboça um pequeno riso:
— Acho que o tiro sairá pela culatra, jovem guerreiro.
A bota desaparece e surge como um cometa indo em extrema velocidade de encontro ao guerreiro, o bardo toca uma canção para diminuir a velocidade da pedregulho, o guerreiro tenta escapar, mas Ciric lança sombras sobre Joseph imobilizando-o. Antes que o cometa pudesse atingi-lo, um raio de luz surge do cosmo e destrói a bota, e ao perceber de onde viria tal luz, eis que surge Lathander, tão brilhante quanto o sol matutino, ele se aproxima e diz.
— Há muita intervenção divina aqui Ciric, não cansas de agir de forma oportuna? Como se não bastasse o que fizeste em tempos imemoriais com Mistra, queres repetir teus feitos! Mas dessa vez, serás impedida; Lathander ergue o braço, e com um golpe na velocidade da luz, ele lança Ciric em um buraco negro.
— Maldito seja Lathander!
Vecna, que estava um pouco distante das gemas, começa a lançar uma magia sobre as gemas atraindo-as para si, Lathander o impede, pegando sete das quatorze gemas, as outras sete, inevitavelmente, vão para Vecna. Ao pega-las, Lathander converte as gemas de esverdeadas para dourada. Ivellios, o ranger arqueiro de nosso grupo, tenta acertar Vecna com uma flecha, mas Vecna começa a desviar da flecha naturalmente, e nesse momento, algo impede seus movimentos, raízes surgiram abaixo do deus lich e a flecha consegue atingi-lo explodindo em uma centelha de folhas cortantes. As gemas são lançadas no espaço, ele grita em direção da árvore cósmica.
—Maldita seja Chauntea!
Uma senhora, trajando um vestido tão verde quanto as selvas de Chult, a deusa da natureza surge da árvore cósmica, frustrando os planos de Vecna.
Vecna fala algumas palavras, como se tivesse insultado a deusa em línguas estranhas, invoca seu sombrio grimório, as páginas do livro começam e tremular, e em seguida, espíritos emergem de dentro do livro e vão em direção a Chauntea, Mielikki impede o ataque disparando uma flecha que consegue dissipar os espíritos.
A tensão divina no local é enorme e isso acaba provocando um turbilhão de energia que começa a destruir o local de fora para o centro onde estávamos. Liriel olha para nós com preocupação e fala:
– Não há tempo, vocês precisam retornar, a missão de vocês ainda não acabou – Elmister e Khelben começam a conjurar um portal, perdendo a concentração com Mistra, fazendo-a desaparecer junto com Bahamut – Entrem no portal rápido! Liriel diz.
Elmister libera o bárbaro da paralisia arcana, todos nós corremos em direção ao portal, mas antes de entrar, eu olho para minha mãe e falo:
— Eu ainda irei te achar, então não morra, você não pode morrer! Tenho ainda muitas coisas para te expressar!
Ao entrarmos no portal, fomos transportados para a sala de reuniões dos harpistas, ouvimos alguém se aproximando.
—Acredito que o dia tenha sido muito cansativo.
Olhamos para trás e vimos uma elfa drow com uma máscara em seu rosto. A elfa que tínhamos encontrado na cidadela sem sol, nos subterrâneos de Mith Dranor estava lá (será que ela também é uma harpista? Me faço essa pergunta pela capacidade de ela demonstrava ter em conseguir infiltra-se em lugares de difícil localização), aquela mesma marcara oportunista que levou o tesouro que não conseguimos encontrar no final do embate com Belak, o druida proscrito.
— Leide, que bom vê-la aqui, mas espere, por que você está aqui mesmo? – Falou Donovan curioso a respeito da elfa
— Bem, fui enviada para recepciona-los. É, parece que vem alguém, mas… vamos nos encontrar novamente, o que vocês viram hoje, poucos na história de Aber-Toril viram e talvez vocês sejam perseguidos por isso – disse a elfa, após terminar de falar, ela sai correndo e pula pela janela. Ouvimos barulhos de muitos passos e gritos se aproximando — OS AVENTUREIROS CHEGARAM, AVISEM A TODOS! TRAGAM MANTIMENTOS PARA ELES! – Vários auxiliares da ordem entram na sala, trazendo comida e utensílios médicos.
— Vocês viram o mago? Ele ainda não voltou? – Perguntou um dos harpistas preocupado com um dos principais líderes da organização.
— Ele infelizmente não pode fugir da tormenta pela qual passamos, mas hábil e poderoso como ele é, acredito que ele achará outro meio para retornar, disse Donovan.
— Então ele deve ter ficado para trás – falou o harpista com uma voz, meio triste.
—E os outros? – Alguns auxiliares comentaram
— Ficaram para trás, lutando contra Tiamat – Falou o Bardo – Bem, é uma história muito longa, então irei cantar para vocês como tudo começou.
Então o Bardo começa a fazer uma música de nossa aventura. Todos ficaram impressionados, entretanto, melancólicos e preocupados.
A música do bardo é interrompida por sons de símbolos mágicos que surgiram na parede do sala, abrindo um portal, de onde sai Storm, com suas espadas quebradas, partes da armadura repletas de rachaduras, além também bastante ferida, quase não conseguindo manter-se em pé, parecia que ela estava perdendo a consciência.
Todos nós corremos para ajudá-la, o bárbaro conseguiu alcança-la antes que o corpo da harpista tocasse o chão. Goiki III coloca ela em cima de uma mesa próxima, pedimos para que trouxessem os clérigos e médicos para cuidarem dela, pouco segundos depois, ela acordou e nos entregou as gemas que lathander tinha convertido, dizendo que elas se tratavam das 7 virtudes do mundo antigo: Beneficentia, Et castitate, Caritas, Pudoris, Diligentia e Humilitatem e que nós deveríamos ir em busca das 7 gemas criadas por Vecna, que segundo ela, foram lançadas sobre os Reinos Esquecidos.
– As gemas do caos devem ser seladas com sua respectiva contraparte. Apenas vós são capazes de cumprir essa missão pois sois testemunhas de sua criação, estando nossas almas vinculadas de alguma forma com as gemas, disse Storm. Ela ainda disse que as gemas do caos apenas se revelariam em nossa presença. Ela ainda mencionou que o espaço temporal havia sido destruído, e todos que estavam ali presente, foram mandados para outros planos, ou até mesmo para outro tempo.
Ficamos preocupados, mas não havia nada que pudéssemos fazer naquele momento, uma harpista surge na sala, uma batedora humana de cabelos negros e curtos e olhos amendoados. Ela pede para que levem Storm para a sala de cura. Storm agradece a todos e esboça um leve sorriso para Goiki III. A harpista então se apresenta, seu nome, Seluné, certamente uma homenagem feita por seus pais a deusa da lua. Ela pediu para que fôssemos descansar depois de presenciar momentos de extremo perigo, e nos informou que no dia seguinte, nos encontraria para que pudéssemos nos reequipar visto que tínhamos perdido nossas armas artefato.
Então todos fomos para quartos no interior dos salões dos harpistas. Ao chegar no recinto, ajoelhei-me perto da cama, com o meu amuleto em punho roguei a Lathander:
— Lathander, eu sei que estou muito longe de ganhar seu reconhecimento, mas farei tudo ao meu alcance para ser digno de vossa benção, irei atrás das gemas, ainda com a
esperança de encontrar minha mãe. Espero que o senhor me ajude nessa grande e difícil jornada, que possa me auxiliar na restauração e proteção de meus aliados de batalha. E um dia, todos saberão que o clérigo Ryu Lucem veio a terra em seu nome difundir a tua boa nova. Além disso, Joseph pediu para que eu o agradece-se a ti por ter o salvado da investida de Ciric contra ele.
Após terminar minha prece, senti paz em meu coração, como uma resposta de Lathander a minha oração, nada como está sobre a vontade e a luz daquele que me guia, pois seus desígnios são justos. Logo após isso, fui dormir pela graça do meu deus.
No dia seguinte, acordei com alguém batendo a porta do meu quarto, era um humano, trazendo algumas frutas para o dejejum e um jarro com água, assim que terminei de comer, tomei um banho sentido o fluxo da agua, admirei a luz matutina que atravessava o espelho d´agua na banheira. Fiz minhas orações diárias, absorvendo a sabedoria vinda da luz de Lathander, mentalizando na glória do seu poder que me capacita todos os dias para prosseguir em minha jornada. De olhos fechados, sentia cada feixe de luz que me banhava e assim, recebi as bênçãos daquela manhã.
Desci para o salão e lá estava Seluné, que me saudou gentilmente. Esperamos pelos outros. Faltava apenas o bárbaro, ouvi alguns gritos de um Goblin vindo de onde ficava o quarto onde nosso amigo bárbaro estava, ficamos meio preocupado com o coitado do Goblin, e do que possivelmente o draconato estava fazendo com ele, por alguma razão os gritos pararam e pouco tempo depois, ele desce sem roupas dizendo que queria acabar com o Goblin que estava no seu quarto.
Seluné esboça um leve sorriso achando graça naquela cena inusitada. Pediu para que ele se vestisse e assim pudéssemos falar algo mais importante. Nosso amigo draconato olha para o lado, ve uma cortina próxima e arranca como se estivesse foleando um livro, ele envolve o pano na parte inferior do seu corpo e diz: Estou vestido agora, vamos continuar o que interessa. (era de se esperar que nosso amigo bárbaro tomasse esse tipo de atitude).
Selune fala que as gemas que estavam com Vecna, foram espalhadas pelo mundo, e que já haviam descoberto a localização de uma delas, pediu para que fossemos recupera-la, mas antes disso, ela nos levou para uma loja itinerante que estava lá nas dependências da ordem. Quando chegamos nos deparamos com vários itens, o vendedor gnomo, intitulado de Ming, o fantástico, apresentou seu vasto acervo:
— Saudações bravos aventureiros! Temos itenas para todos os gostos!! Entrem e fiquem a vontade!! Espadas cortantes, muito cortantes e super cortantes! – não sei porque, mas algo nele não me fazia ter essa confiança, talvez o discurso comercial não me agradasse tanto assim. Ele ainda nos disse que tinha armas que tinham diversas capacidades, uma delas achei
muito útil para nós: a capacidade de alertar seu portador de possíveis ameaças. Ming então disse:
– Muita boa escolha sacerdote de Lathander! És clérigo não é mesmo? Conheço um a léguas de distância! Sobretudo pelo seu símbolo sagrado! Bem, posso imbuir uma maça com tal habilidade, gostaria que ela emitisse que som em sua mente na iminência de um perigo? Sons de trovão, de explosões? Certa vez um comprador humano extra planar disse para que eu colocasse um grito com a seguinte frase Vaaaaaaaaaaaai Curintiaaaaaannnnnnn!!!! (risos) Não entendi muito bem o que significava, mas o cliente é quem manda não é mesmo? Heheheh. Então o que vai ser? Posso recomendar algo sugestivo a sua classe? Que tal sons de sinos de catedrais? O que me diz?Achei adequado o aviso de alerta com sinos, ele então pegou um pó mágico de um seus anéis e lançou no ar formando a imagem de um sino, o pó então foi sendo absorvido pela maça.
Ivellios ficou olhando os arcos, mas decidiu comprar uma aljava que tinha a capacidade de levar mais flechas, Donovan olha para as espadas e para uma lira enquanto cantou baixinho “você partiu meu coração…”, ele acabou comprando uma espada longa de boa qualidade. O guerreiro comprou uma espada e o bárbaro um machado, ambos mágicos com maior poder de precisão e de dano. Ming então se despede, pega uma maleta mágica, a qual ao abrir, sugou toda a loja para dentro dela e entrou em um portal.
Seluné, a batedora harpista, adentra o salão agora vazio, e entrega dois pergaminhos de teletransporte, um deles que nos levaria até um local próximo de onde tinha aparecido a gema e o outro nos traria de volta, a exatidão dos portais tem diminuído devido ao rompimento da trama mágica dos últimos anos. Agradecemos a ela, o bardo recebe os pergaminhos e ativa o portal de um deles, símbolos arcanos surgem no chão do salão e a medida que sua luz nos rodeia fomos desaparecendo gradativamente.
Reaparecemos em um descampado repleto de rochas de formato cúbico, mas com tamanhos diferentes, algo intrigante. Senti-me um pouco tonto, acreditava ter sido efeitos da magia de teletransporte. O descampado tinha cerca de 50 metros e estava cercado por uma densa floresta. Ivellios percebe que entre uma dessas pedras existe um caderno de anotações, segundo ele o caderno possuía anagramas, desenhos geométricos, cálculos inacabados breves anotações, nesse momento escuto sinos em minha mente! Algum perigo nos rondava! A fala do nosso companheiro arqueiro foi interrompida por gritos vindo da floresta densa, aparentemente de uma mulher.
Ficamos a postos para algum iminente perigo, empunhei meu escudo e me preparei investida de possíveis inimigos. Tratava-se de uma camponesa gritando — Socorro! Ele está atrás de mim!!!! – mas não sabíamos ainda o que era, até que surge em meio a mata fechada,
um cavaleiros espectral sem cabeça, trajando uma armadura dourada, montado em um cavalo espectral branco, de dentro de onde outrora existia uma cabeça um símbolo espectral sai de dentro, e fica suspenso no ar, era algo semelhante a um triangulo com um olho na sua parte central o qual nos fitava de forma ameaçadora! Ivellios diz que viu um símbolo semelhante ao olho nas anotações do caderno encontrado.
Enquanto a camponesa corre em nossa direção suplicando ajuda, o cavaleiro empunha uma espada bastarda e galopa em seu alazão na direção da camponesa, deixando um rastro gélido por onde passa, ele aparenta está decidido a golpeá-la mortalmente. Precisamos impedir que a vida dessa jovem seja ceifada!

 

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