Contos de Ryu Lucem – O Encontro com a Rainha dos Dragões – Cap 1

3 de novembro de 2017

Conto narrado pelo escriba Ryu Lucem (clérigo de Lathander – Jogador William Jefferson Barboza – estudante do 2º ano do ensino médio do curso integrado em informática)
Aventura do dia 29 de março de 2017 no projeto RPG na escola, coordenado pelo professor Helltonn Winicius.


E lá estávamos nós, em mais uma luta pela sobrevivência contra um mago lich, um dos seres mais poderosos que já tínhamos enfrentado.

Estávamos à beira da vitória, até que Paldemar, o mago lich, usou os poderes mágicos da pirâmide de ouro para invocar o avatar de Vecna, o deus maligno dos segredos e do conhecimento. Entretanto o poder para invocar a divindade por meio da pirâmide de ouro era enorme e algo deu errado durante a invocação, a linha do espaço-tempo foi rompida.

Fomos sugados para uma dimensão obscura, uma fenda temporal entre o aqui e o lá. Havia um solo onde pisávamos, porém o horizonte e tudo que nos cercava era o firmamento, Paldemar não estava mais lá, apenas o avatar de Vecna nos fitava como um lobo astuto diante de suas presas fáceis para então emitir uma pequena risada irônica desaparecendo em uma fumaça negra. Eis que um imenso portal se abre, algo mais amedrontador saía dele, mas ainda não sabíamos o que, apenas notava-se que a criatura tinha garras enormes e afiadas. Poucos segundos depois pensávamos se tratar de um dragão vermelho pela coloração das escamas, porém estávamos enganados já que a criatura apresentava mais cabeças dracônicas! Uma para cada tipo de dragão cromático existente: uma vermelha, uma negra, uma verde, uma azul e uma branca. O corpo da criatura monstruosa finalmente surge soberana a nossa frente.

— TIAMAT – gritou Donovan.

—O DRAGÃO – todos complementaram.

Tiamat, ao ver criaturas tão pequenas e fracas, fincou suas garras no solo erguendo suas cabeças, como se puxasse o ar cósmico para seus pulmões, preparava o seu poderoso sopro. Antes mesmo de ser atingido eu já sentia como se minha vida fosse sugada para dentro de Tiamat, sentia um calafrio na espinha, como se toda a esperança tivesse perecido, olhei rapidamente para meus companheiros de jornada, o medo que sentia evitava que eu falasse qualquer coisa, mas em meu coração eu estava agradecido pela companhia deles depois de tantos desafios enfrentados e algo em minha consciência ainda me dizia que eu não poderia perder a minha fé.

Uma tormenta de fogo, gelo, ácido, eletricidade e gás foi soprada por Tiamat devastando tudo a nossa frente, o solo era arrancado como folhas secas erguidas pelo vento. Nesse momento, um cone de luz rompe o espaço e se pôs entre nós e a tormenta de nossa iminente desgraça e deste surge uma mulher de aparência angelical, cabelos dourados, vestes brancas combinadas com peças de uma armadura de platina. Ela olha para nós e em meio a todo caos de energia, eu consigo sentir paz, meu coração é repentinamente aquecido pelo olhar daquela mulher que avistava em meus sonhos. Tratava-se daquele ser de amor que cuidou e me criou, Liriel Lucem, minha mão que me deixou ainda criança para seguir a jornada em defesa do equilíbrio do mundo, agora sendo conhecida como Liriel Luz da Aurora.

Antes da tormenta de Tiamat nos alcançar, ela conjurou escudos protetores que envolveram cada um de nós separadamente, estes pareciam grandes globos de vidro emitindo uma luz dourada e suave, porém forte o suficiente para deter o ataque de Tiamat. Víamos a tormenta através daquele escudo, a pressão era imensa, eu conseguia sentir de dentro da proteção, um turbilhão caótico sedento por nossas vidas. Minha pele tremia, meus músculos travados sem conseguir fazer sequer um único movimento, minha respiração quase parava, uma tempestade de poder e destruição produzindo um barulho ensurdecedor que parecia não ter fim.

O escudo começou a rachar, parecia não ser o bastante para deter aquela tormenta, afinal ela estava vindo da própria Tiamat! Meus olhos demonstravam o pânico, acabara de encontrar minha mãe, depois de tantos anos separados! Eu não podia morrer agora! Não nesse lugar! Não sem poder falar para ela sobre todo o amor que sentia, apesar de nossa tenra separação, dizer a ela que a compreendia por ter me deixado, lágrimas inevitáveis corriam em minha face.

Algo pareceu modificar aquele escudo protetor, transformando o meu desespero em esperança, uma nova barreira, dessa vez azulada, revestindo-o gradativamente, restaurando as rachaduras provocadas pelo sopro de Tiamat e garantindo a nossa sobrevivência. Pouco tempo depois a tormenta passou e lá estava ela, Tiamat, soberana, olhando para nós intrigado. Ao olhar com mais atenção percebe ao lado de Liriel mais duas pessoas de vestes arcanas, uma segurando um cajado negro, Khelben, e a outra com o cachimbo em punho, o próprio Elminster.

— Agradeço pela ajuda, nobres amigos de jornada, por terem me ajudado a salvar nossos aventureiros da tirania em forma de sopro de Tiamat – disse Liriel.

Khelben limitou-se a um pequeno gesto de confirmação com sua cabeça, enquanto Elminster esboçou um leve sorriso para ela.

Quando nada mais poderia me surpreender percebo que um de meus amigos de jornada, o bárbaro Goik III, começou a golpear o escudo protetor com o seu machado, berrava sedento pelo sangue e morte de Tiamat. Após o agradecimento de Liriel vozes guturais e pulsantes como trovão romperam o espaço, percebi o ódio na expresso nas cabeças de Tiamat enquanto dizia:

— Você elfa! Não se esconda por trás das sombras!

Próximo a nós surgiu uma figura de cabelos prateados, vestindo uma armadura élfica de Mitral e com duas espadas curtas em punho, Storm Mão Argentua.

— Perspicaz Tiamat, faz jus a divindade que és — disse a elfa.

— É inútil se juntarem contra mim, o mundo de vocês cairá – Tiamat ameaçou

— A ruína do mundo é certamente o fim inevitável, mas este dia não será hoje, e não será provocado por suas garras – respondeu Khelben.

Liriel começou a falar palavras em uma língua estranha. Iniciando o que parecia ser um ritual, ela lançou cinco pequenos pergaminhos que ficam suspensos no ar, posicionando-se no entorno dela se abriram magicamente, revelando escritos divinos que brilhavam e lançaram fios de luz conectando-se uns aos outros, formando uma estrela de luz  em volta de Liriel e alcançando a base de seu centro no chão, feixes de luz subiram aos céus transformando-se em pequenas estrelas suspensas no espaço.

Ao mesmo tempo, nossos escudos se desfizeram e o bárbaro, aproveitando a excelente oportunidade de se vingar de Tiamat por tudo que ela fez em sua tribo através de seus cultistas, partiu para o ataque sem titubear. Percebi em sua face que ele apenas queria morrer honrando o seu deus e sua família, porém Elmister ergueu a mão e símbolos arcanos surgiram no ar indo em direção de Goiki III, deixando-o imobilizado antes de chegar perto da deusa draconiana.

– Domine seus instintos bárbaro – disse ele – sei de sua sede por justiça e vingança, mas esse não é o seu momento… ainda.

Nosso companheiro, o guerreiro Joseph, se aproximou de mim e perguntou:

— Aquela não é sua mãe?

Realmente, era minha mãe, mas ainda não conseguia acreditar no que meus olhos viam, afinal ela não deveria estar ali, e sim em uma missão nas profundezas de uma cratera que se abriu ao sul de Tori. Não sabia o que falar, nem o que responder, apenas a olhava, admirando o seu poder. E pensar, a mulher que procurei por anos estava ali, na minha frente, e, como sempre, impossibilitado de poder ajudá-la em batalha como acontecia em meus sonhos.

Donovan, o bardo, veio em minha direção e comentou sobre a beleza da mulher de cabelos dourados, até que eu disse que era minha mãe, chocando-o.

— Perdoe-me nobre companheiro, mesmo em meio ao caos desta batalha, não tive como não contemplar a beleza de tua mãe!

Não tínhamos tempo para conversar, Tiamat iria desferir um golpe poderoso com suas asas, entretanto nesse momento, surgiram duas muralhas de energia adjacentes a nós, conjuradas por Khelben, impedindo o ataque. Tomada de ira ela então se prepara para lançar o seu sopro épico novamente, mas eis que nesse momento Liriel diz:

— Jovens aventureiros, precisaremos de vossas bênçãos! Os artefatos que vocês receberam em sua jornada precisarão ser sacrificados para que possamos derrotar Tiamat!

Então ela bate o cetro no chão e nossas armas começaram a brilhar intensamente. Primeiro foi a lira de Donovan, que saiu da mão dele indo aos céus explodindo em luz para dois anjos saírem de dentro dela, um deles olha para Tiamat e fala algumas palavras em extraplanar ao mesmo tempo que Liriel “Beneficentia, emundabit Avaritia!!” Em seguida, um dos anjos conjura na palma da sua mão fios dourados que partem em direção da cabeça negra da deusa dragão. Os fios pareciam tão resistentes quanto aço prendendo a face negra de Tiamat, impedindo que o lançamento do sopro de ácido. Com extrema força, Tiamat tenta mover sua mandíbula de forma a tentar libertar-se dos fios, nesse momento o segundo anjo diz ”Et Castitate judex aviditas appropinquabit!” Conjurando mais fios dourados prendendo de uma vez a mandíbula negra.

Em seguida meu cetro também subiu aos céus se transformando em uma grande esfera de luz, tão brilhante quanto o sol.  Vindo desta saiu um poderoso raio de luz na cabeça azulada,  desconcentrando-a de seu sopro, e consegui escutar uma voz que dizia “Caritas compellet Invidia”; de alguma forma, entendi ela dizer “que a caridade constranja a inveja”.

O arco de Ivellios começou a tremer e também subiu aos céus se transformando em um grande centauro espectral com chifres de cervo, segurando um poderoso arco no formato de galhos de cedro, de sua mão, nasce uma flecha de energia envolta por um turbilhão de folhas translúcidas, ele então diz junto de Liriel “Pudores convertere Luxuria”; a flecha voa e atinge Tiamat, é possível ver o turbilhão de folhas circular a face verde do dragão, impedindo-a de lançar o sopro épico.

O machado do Goik III vai aos céus para explodir em chamas, transformando-se em um dragão dourado repleto de tatuagens tribais que então diz “Diligentia exitium Teporis Torporibus”, surpreendendo-me o companheiro Draconato Goiki III traduziu dizendo “Que a negligência destrua a preguiça”. O sopro de fogo percorre a cabeça branca de Tiamat.

— O grande deusa da lua, abençoe pelo poder das estrelas, a família Joestar – clama Lirial se pondo a frente.

Um cone de luz forma-se ao redor de Joseph, foi possível ver as chamas e o gelo emitidos por sua espada se transformaram em um fogo prateado, então a espada subiu aos céus se tornando uma grande estrela prateada e lançando uma grande centelha de luz na cabeça vermelha do dragão.

Tiamat começou a se debater para tentar sair das barreiras de energia criadas pelas nossas armas artefato. Enquanto isso Khelben e Elmister falavam algumas palavras em arcano erudito, criando uma ponte de energia erguida até o infinito de onde surgiu um pequeno cometa de luz que alcançou a base da escadaria com grande velocidade. Se tratava de um avatar de Mistra, a deusa da magia.

— Oh! Senhora da magia! Não temos muito tempo! Os fragmentos da trama que foram reunidos até aqui não foram suficientes para te trazer por completo, mas pelo menos conseguiste enviar um de seus avatares, somos gratos por isso! Precisamos de sua intervenção – disse Khelben.

O bardo Donovan parecia eufórico, seus olhos maravilhados ao ver tamanho embate demonstravam confiança, imagino que histórias ele cantaria a partir desse dia.

— Acho que não seria prudente falar para ela que será aprisionada – disse o bardo.

— Sei dos esforços de vocês para me trazer de volta do limbo perdido, invoquei um sopro de minha existência para auxiliá-los neste certame, mas não serei eu quem irá derrotá-la, mas o grande rival da deusa dragão, o senhor dos dragões prateados –  disse o avatar de Mistra.

Ela começa a falar em uma língua, aparentemente mais antiga que o próprio arcano erudito, abrindo um portal onde conseguimos ver um grande castelo prateado envolto a um lago tão brilhante quanto as estrelas, tratava-se de uma linda visão de Celéstia, algo que eu só vira em pinturas de artistas inspirados da minha igreja. De dentro das águas surgiu um grande dragão prateado que voou através do portal, o próprio Bahamut, deus dos dragões metálicos.

— Tiamat, nos encontramos novamente!

Com uma voz tão poderosa e estrondosa como um grande trovão no meio de uma tempestade, o deus dragão pairava no céu exercendo uma poderosa pressão sobre o solo. Ele começou a concentrar uma grande energia em sua mandíbula, parecia que estrelas eram sugadas para sua poderosa mandíbula, então lança um cone de energia no coração de Tiamat. O cone perfura Tiamat e Liriel começa a falar algumas palavras mágicas em uma língua extra planar: Humilitatem extinctus Superbia. Tiamat começa a se deteriorar com o grande poder de anjos, do sol, do centauro, das estrelas, do dragão dourado e do próprio Bahamut; mesmo com tudo isso, ela resiste.

Eis que nesse momento, uma nuvem negra surge próxima a Tiamat, dela surge Vecna, olhando tudo que estava acontecendo e, como uma raposa sorrateira, aproveita-se da situação. Falando palavras arcanas tão antigas quanto as de Mistra, o deus lich conjura caveiras espectrais em sua mão. Percebi a face preocupada de Mistra enquanto Vecna falava:

Miterju nojti areja alme!

Escuto em minha mente a voz de minha mãe: “Fique atento meu filho, Mistra revelou-me que Vecna pretende fragmentar a alma de Tiamat”. Preocupei-me com a atitude de Vecna, qual seria o seu real intuito nisso?

Várias mãos esqueléticas espectrais e esverdeadas foram conjuradas pelo deus lich, seguiam pelo solo deixando um rastro de destruição na direção de Tiamat. Ao alcançá-la, elas se espalham por todo o corpo da deusa draconiana rasgando-o e provocando uma poderosa explosão.

Nossos épicos aliados não puderam fazer nada. Entendi que Elmister e Khelben não tinham como impedir a magia de Vecna, se fizessem qualquer outro movimento poderiam perder a concentração da ponte arcana que possibilitou a intervenção do avatar de Mistra. Deduzi ainda que este não conseguiria impedir Vecna e manter o portal de Bahamut. O Avatar de Mistra fechou os olhos expressando um semblante de dor contida, em seguida sussurrou algo que não consegui compreender.

O corpo de Tiamat foi pulverizado, os seres produzidos por nossas armas artefato desaparecem e do que antes era um corpo surgiram, suspensas no ar, sete gemas esverdeadas que levitavam ao encontro de Vecna. Entretanto, antes que ele consiga pegá-las, uma árvore cósmica surgiu do solo próxima a Mistra e de dentro saiu Mielikki, a deusa da caça. Ela olha, para as gemas que seguem em direção a Vecna e apenas com um olhar para Mistra ela parece compreender a situação. Conjurando um arco e flecha translúcidos, dispara uma flecha que ao atingir o espaço onde as gemas estão, cria um globo de luz envolvendo todas. Nesse momento ecoou uma risada sarcástica, um homem pequeno e esguio, trajando roupas negras semelhantes as de um ladino surgiu de um portal dimensional próximo ao globo de luz.

— Não será dessa vez Mielikki, a caça será frustrada, pois as brumas cercam o pequeno pássaro!

— Ciric! Sua raposa sorrateira! Não permitirei que suas ambições egoístas, que suas alianças inescrupulosas desestabilizem mais uma vez o mundo de Abeir-Toril – diz Mistra.

Compreendi então que se tratava do deus da enganação e traição

— Companheiros, parece que as coisas estão se tornando mais complicadas – disse Donovan enquanto Ciric ia até o globo de luz para tocá-lo.

– Não vai querer ficar com o prêmio só para si não é mesmo Vecna hihihihi – diz Ciric que começa a duplicar as gemas, transformando-as em quatorze.

O nosso companheiro guerreiro Joseph, em um lampejo de insanidade ao meu ver, usou uma de suas botas e para jogar nele. Ciric olha para a atitude do guerreiro e esboça um pequeno riso:

— Acho que o tiro sairá pela culatra, jovem guerreiro.

A bota desapareceu e surgiu como um cometa indo em extrema velocidade de encontro ao guerreiro, o bardo tocou uma canção para diminuir a velocidade da pedregulho, o guerreiro tentou escapar, mas Ciric usou sombras sobre Joseph, imobilizando-o. Porém antes que fosse atingido, um raio de luz surgiu do cosmo, destruindo a bota. Ao perceber de onde viria tal luz, eis que surge Lathander, tão brilhante quanto o sol matutino, ele se aproxima e diz.

— Há muita intervenção divina aqui Ciric, não cansas de agir de forma oportuna? Como se não bastasse o que fizeste em tempos imemoriais com Mistra, queres repetir teus feitos! Mas dessa vez, serás impedida. – Lathander ergue o braço e com um golpe na velocidade da luz lança Ciric em um buraco negro.

— Maldito seja Lathander!

Vecna, um pouco distante das gemas, começou a lançar uma magia sobre as gemas atraindo-as para si, Lathander intervém pegando sete das quatorze gemas, enquanto as demais vão para Vecna. Ao contê-las, Lathander converte as gemas de esverdeadas para dourada. Ivellios, o ranger arqueiro de nosso grupo, tenta acertar Vecna com uma flecha, mas Vecna começa a desviar da flecha naturalmente, e nesse momento, algo impede seus movimentos, raízes surgiram abaixo do deus lich e a flecha consegue atingi-lo explodindo em uma centelha de folhas cortantes. As gemas são lançadas no espaço enquanto ele grita na direção da árvore cósmica.

—Chauntea! Você será derrotada pelo meu poder cedo ou tarde!

Uma senhora, trajando um vestido tão verde quanto as selvas de Chult, a deusa da natureza, surge da árvore cósmica para frustrar os planos do deus lich.

– Mesmo que o meu fim fosse certo como tu praguejas, a natureza se levantará contra aqueles que almejam seu desequilíbrio, pois a vida se renova a cada folha que cai.

Vecna fala algumas palavras, como se tivesse insultado a deusa em línguas estranhas, invoca seu sombrio grimório, as páginas do livro começam e tremular, espíritos emergem de dentro do livro e vão em direção a Chauntea; Mielikki impede o ataque disparando uma flecha que consegue dissipar os espíritos.

A tensão divina no local é enorme e acaba provocando um turbilhão de energia que começa a destruir o local de fora para o centro onde estávamos. Liriel olha para nós com preocupação e fala:

– Não há tempo, vocês precisam retornar, a missão de vocês ainda não acabou – Elmister e Khelben começam a conjurar um portal, perdendo a concentração com Mistra, fazendo-a desaparecer junto com Bahamut – Entrem no portal rápido!

Elmister libera o bárbaro da paralisia arcana, todos nós corremos em direção ao portal, mas antes de entrar eu olho para minha mãe e falo:

— Eu ainda irei te achar, então não morra, você não pode morrer! Tenho ainda muitas coisas para te expressar!

Ao entrarmos no portal, fomos transportados para a sala de reuniões dos harpistas.

—Acredito que o dia tenha sido muito cansativo.

Olhamos para trás e vimos uma elfa drow com uma máscara em seu rosto. A elfa que tínhamos encontrado na cidadela sem sol, nos subterrâneos de Mith Dranor estava lá (será que ela também é uma harpista? Me faço essa pergunta pela capacidade que ela demonstrava ter em conseguir infiltra-se em lugares de difícil localização), aquela mesma máscara oportunista que levou o tesouro que não conseguimos encontrar no final do embate com Belak, o druida proscrito.

— Leide, que bom vê-la aqui, mas espere, por que você está aqui mesmo? – falou Donovan de tom curioso para a elfa.

— Bem, fui enviada para recepcioná-los. É, parece que vem alguém, mas… vamos nos encontrar novamente, o que vocês viram hoje, poucos na história de Aber-Toril viram e talvez vocês sejam perseguidos por isso – disse a elfa que após terminar de falar, sai correndo e pula pela janela. Ouvimos barulhos de muitos passos e gritos se aproximando.

— OS AVENTUREIROS CHEGARAM, AVISEM A TODOS! TRAGAM CURATIVOS E MANTIMENTOS PARA ELES! – vários auxiliares da ordem entram na sala, trazendo comida e utensílios médicos.

— Vocês viram o mago? Ele ainda não voltou? – Perguntou um dos harpistas preocupado com um dos principais líderes da organização.

— Ele infelizmente não pode fugir da tormenta pela qual passamos, mas hábil e poderoso como ele é, acredito que ele achará outro meio para retornar – disse Donovan.

— Então ele deve ter ficado para trás – falou o harpista com uma voz meio triste.

— E os outros? – alguns auxiliares perguntavam.

— Ficaram para trás, lutando contra Tiamat – falou o Bardo – Bem, é uma história muito longa, então irei cantar para vocês como tudo começou.

Então ele começa a fazer uma música de nossa aventura. Deixando todos no recinto impressionados, entretanto, melancólicos e preocupados.

A música do bardo é interrompida por sons de símbolos mágicos que surgiram na parede do sala, abrindo um portal. Deste sai Storm, com suas espadas quebradas, partes da armadura repletas de rachaduras, bastante ferida, quase não conseguindo manter-se em pé, parecia que perdia a consciência.

Todos corremos para ajudá-la, o bárbaro conseguiu alcançá-la antes que o corpo da harpista tocasse o chão. Goiki III a colocou em cima de uma mesa próxima, pedimos para que trouxessem os clérigos e médicos para a ajudar e, pouco segundos depois, ela acordou para nos entregar as gemas que Lathander converteu, nos disse que se tratavam das sete virtudes do mundo antigo: Beneficentia, Et castitate, Caritas, Pudoris, Diligentia e Humilitatem e que nós deveríamos ir em busca das demais gemas criadas por Vecna as quais, segundo ela, foram lançadas sobre os Reinos Esquecidos.

– As gemas do caos devem ser seladas com sua respectiva contraparte. Apenas vós são capazes de cumprir essa missão pois sois testemunhas de sua criação, estando nossas almas vinculadas de alguma forma com as gemas – disse Storm  – As gemas do caos apenas se revelarão em vossa presença – ainda mencionou que o espaço-tempo fora destruído e todos que estavam ali presentes foram mandados para outros planos, ou até mesmo outro tempo.

Ficamos preocupados, mas não havia nada que pudéssemos fazer naquele momento. Uma harpista surgiu na sala, era uma batedora humana de cabelos negros curtos e olhos amendoados pedindo para que levassem Storm para a sala de cura. Esta agradece a todos e esboça um leve sorriso para Goiki III. A harpista então se apresenta, seu nome é Seluné, certamente uma homenagem feita por seus pais a deusa da lua, pediu para que fôssemos descansar depois de presenciar momentos de extremo perigo e nos informou que no dia seguinte nos encontraria para que pudéssemos nos reequipar visto que tínhamos perdido nossas armas artefato.

Então fomos para os quartos no interior dos salões dos harpistas. Chegando no recinto, ajoelhei-me perto da cama, com o meu amuleto em punho roguei a Lathander:

— Lathander, eu sei que estou muito longe de ganhar seu reconhecimento, mas farei tudo ao meu alcance para ser digno de vossa benção, irei atrás das gemas, ainda com a esperança de encontrar minha mãe. Espero que o senhor me ajude nessa grande e difícil jornada, que possa me auxiliar na restauração e proteção de meus aliados de batalha. E um dia, todos saberão que o clérigo Ryu Lucem veio a terra em seu nome difundir a tua boa nova. Além disso, Joseph pediu para que eu o agradece-se a ti por ter o salvado da investida de Ciric.

Após terminar minha prece, senti paz em meu coração, como uma resposta de Lathander a minha oração, nada como estar sobre a vontade e a luz daquele que me guia, pois seus desígnios são justos. Logo após isso, fui dormir pela graça do meu deus.

No dia seguinte, acordei com alguém batendo a porta do meu quarto, era um humano trazendo algumas frutas para o desjejum e um jarro com água. Assim que terminei de comer, tomei um banho, admirei a luz matutina que atravessava o espelho d’água na banheira. Fiz minhas orações diárias, absorvendo a sabedoria vinda da luz de Lathander, mentalizando na glória do seu poder que me capacita todos os dias para prosseguir em minha jornada. De olhos fechados, sentia cada feixe de luz que me banhava e assim, recebi as bênçãos daquela manhã.

Desci para o salão e lá estava Seluné que me saudou gentilmente. Depois de esperar um pouco pelos demais, faltava apenas Goik III, quando ouvi alguns gritos de um Goblin vindo de onde ficava o quarto onde nosso amigo bárbaro estava, ficamos preocupados com o coitado do Goblin, e do que possivelmente o draconato estava fazendo com ele. Por alguma razão os gritos pararam e pouco tempo depois ele desceu sem roupas dizendo que acabaria com o Goblin que estava no seu quarto.

Seluné esboçou um leve sorriso achando graça naquela cena inusitada e pediu para que se vestisse para que pudéssemos falar sobre algo mais importante. Nosso amigo draconato olha para o lado, ve uma cortina próxima e arranca como se estivesse folheando um livro, envolve o pano na parte inferior do seu corpo e diz:

— Estou vestido agora, vamos continuar o que interessa – como era de se esperar de nosso amigo bárbaro.

Seluné avisou que as gemas de Vecna se espalharam pelo mundo e que já haviam descoberto a localização de uma delas, pedindo para que fôssemos recuperá-la, mas antes disso nos levou para uma loja itinerante que se encontrava nas dependências da ordem. Quando chegamos nos deparamos com vários itens, o vendedor gnomo intitulado de Ming, o fantástico, apresentou seu vasto acervo:

— Saudações bravos aventureiros! Temos itens para todos os gostos!! Entrem e fiquem a vontade!! Espadas cortantes, muito cortantes e super cortantes!

Não sei por que, mas algo nele não me passava confiança, talvez o discurso comercial não me agradasse. Ele ainda nos disse que tinha armas com diversas capacidades, uma delas achei muito útil para nós: a capacidade de alertar seu portador de possíveis ameaças.

– Muita boa escolha sacerdote de Lathander! És clérigo não é mesmo? Conheço um a léguas de distância! Sobretudo pelo seu símbolo sagrado! Bem, posso imbuir uma maça com tal habilidade, gostaria que ela emitisse qual som em sua mente na iminência de um perigo? Sons de trovão, de explosões? Certa vez um comprador humano extra planar disse para que eu colocasse um grito com a seguinte frase “Vaaaai Curintiaaannn!!!!” Não entendi muito bem o significado, mas o cliente é quem manda não é mesmo? Heheheh. Então o que vai ser? Posso recomendar algo sugestivo a sua classe? Que tal sons de sinos de catedrais? O que me diz?

Julguei adequado o alerta com sinos, ele então pegou um pó mágico em um de seus anéis e lançou no ar formando a imagem de um sino e o pó foi sendo absorvido pela maça.

Ivellios olhava os arcos, mas decidiu comprar uma aljava que tinha a capacidade de levar mais flechas; Donovan verificava as espadas e uma lira enquanto cantarolava “você partiu meu coração…”, acabou comprando uma espada longa de boa qualidade. O guerreiro comprou uma espada e o bárbaro um machado, ambos mágicos com maior precisão.. Ming despediu-se, pegou uma maleta, que ao abrir sugou toda a loja, e entrou em um portal.

Seluné retornou e nos entregou dois pergaminhos de teletransporte, um deles nos levaria até um local próximo de onde tinha aparecido a gema e o outro nos traria de volta, “a exatidão dos portais tem diminuído devido ao rompimento da trama mágica dos últimos anos”, alertou-nos. Agradecemos enquanto o bardo ativava um dos pergaminhos, símbolos arcanos surgiram no chão e a medida que sua luz nos rodeava fomos desaparecendo gradativamente.

Reaparecemos em um descampado repleto de rochas de formato cúbico, mas com tamanhos diferentes, algo intrigante, possuía cerca de 50 metros e era cercado por uma densa floresta. Senti-me um pouco tonto, acreditava serem efeitos da magia de teletransporte, enquanto isso Ivellios percebeu que entre uma dessas pedras existe um caderno de anotações. Segundo ele este continha anagramas, desenhos geométricos, cálculos inacabados e breves anotações, porém nesse momento escuto sinos em minha mente! Algum perigo nos rondava! A fala do nosso companheiro arqueiro foi interrompida por gritos vindo da floresta densa, aparentemente de uma mulher.

Ficamos a postos para algum iminente perigo, empunhei meu escudo e me preparei para a investida de possíveis inimigos. Tratava-se de uma camponesa gritando:

— Socorro! Ele está atrás de mim!!!!

Não sabíamos ainda o que era até que, em meio a mata fechada, surgiu um cavaleiro espectral sem cabeça trajando uma armadura dourada e montado num cavalo espectral branco. Onde outrora existia uma cabeça um símbolo espectral surgia, suspenso no ar, era algo semelhante a um triângulo com um olho na sua parte central o qual nos fitava de forma ameaçadora! Ivellios diz que viu um símbolo semelhante ao olho nas anotações do caderno encontrado.

Enquanto a camponesa corre em nossa direção suplicando ajuda, o cavaleiro empunha uma espada bastarda e galopa em seu alazão na direção dela, deixando um rastro gélido por onde passa, aparenta estar decidido a golpeá-la mortalmente.

Precisamos impedir que a vida dessa jovem seja ceifada!


 

Podcast RPG

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  • Snipepper

    Bacana este conto, faz pouco que conheci o RPG Next. Tenho escutado os Podcasts do Tarrasque na Bota e só agora que achei a parte de contos.
    Gostei especialmente pois também gosto de escrever alguns contos, geralmente uso histórias secundarias para montar uma aventura de RPG e estas as transformo em contos.

  • Pedro Quitete

    Opa seja bem vindo! Legal estar curtindo nossos podcasts e contos o/
    Muitos outros estão a caminho heheh
    Quem sabe um dia você não publica um dos seus conosco 😉

  • Snipepper

    Sério que existe esta possibilidade? Quem que eu devo matar?

  • Pedro Quitete

    Por enquanto não precisa matar ninguém, mas caso um dia precise vou salvar seu contato hehe

    Existe sim a possibilidade, nós estaremos em breve voltando a produzir conteúdo escrito 🙂 quando isso acontecer anunciaremos nos episódios e por lá explicaremos como participar 😉

  • Snipepper

    Bacana, ficarei atento.
    Não precisa matar ninguém não?Então caso alguém pergunte nunca tivemos essa conversa. Rssssss

  • Quem é você? Quem sou eu?