A morte de um herói

16 de Março de 2016

E quando se rola aquele um no dado em um momento crítico da batalha? E quando seu personagem está quase sem vida e o inimigo da “aquele” acerto crítico

Enfim, mestres e jogadores, sobre isto que vamos falar agora, o mais temido pelos jogadores e o mais gostoso para os mestres carrascos: A morte de um personagem.

chardeath

Imagina jogador, perder aquele personagem em que você ficou trabalhando dias, criando história, pensando na personalidade, etc. Tudo igual o Pedro Quitete ensinou aqui: http://rpgnext.com.br/dicas-de-roleplay/voce-seu-personagem-e-o-universo/. Triste né?  E agora? O que fazer?  Se você já se viu nessa situação é um excelente sinal. Significa que fez um personagem tão carismático que ele ganhou sua mesa de jogo inteira. Não há nada de errado em se apegar ao seu personagem, na verdade, faça isto e a sua interpretação do mesmo será incrível!

Mas e quando a morte paira sobre a cabeça de todo o grupo de aventureiros? É neste momento que as boas histórias dão um plot twist que nem mesmo o mestre esperava. É nessas horas que suas aventuras viram lendas para serem contadas por muito tempo e canções das quais todos os bardos que se prezem decoraram.

Elfo Bardo

Não leve a morte de um personagem para o lado negativo, faça ele morrer como uma lenda. Imaginem que vocês estão sendo perseguidos por um exército de orcs, em uma caverna fria e escura logo após roubar o único amuleto capaz de salvar seu mundo do Tarrasque que sairá da bota de um gigante logo logo. Ao chegar em uma bifurcação, vocês sabem: todos vão morrer! De repente, o paladino certinho líder do grupo, ou o bardo carismático de quem até os inimigos gostam, ou o mago sábio que sempre tem um conselho filosófico incompreensível, tem uma estranha ideia. Ele se separará  do grupo e, fazendo todo o barulho possível para atrair o exército, seguirá um dos caminhos, enquanto o resto do grupo passará com o amuleto silenciosamente pelo outro. O grupo inteiro discorda mas, até o bárbaro mais burro saberia que aquela seria a única opção. Eles por fim entendem que por um bem maior seu amado amigo irá morrer e seguem chorando enquanto escutam o barulho que ele faz do outro lado. Quase saindo da caverna escutam o último gemido de dor dele, e um berro: “Por vocês! Onde a amizade encontrou todo o sentido, meus grandes amigos!”. Até o ladino do grupo, que só pensava em dinheiro, derramou uma lágrima e jurou vingança contra todos os orcs. O personagem mártir de Fulaninho(a) morreu… mas é uma morte da qual em todas mesas em que vocês jogarem juntos de novo será lembrada. Massa né?

Orcs

E para vocês mestres, isto é algo… nem existem palavras para descrever quando seus personagens se lembram da sessão em que você narrou o maior heroísmo da face da terra. Deu um fim invejável para qualquer pessoa, digno de filme. Então, dica para vocês mestres: não mate seus jogadores, eternize-os. O que quero dizer com este bando de palavras bonitas é que, não é legal quando um personagem tão amado morre apenas pra uma doença que ele pegou da adaga enferrujada do goblin mais fraco da floresta. Faça a morte ser algo grandioso!

Eu jogava com um meio-orc bárbaro chamado Urlack e a mesa inteira amava as burrices dele. Ele era tão legal (modéstia a parte) que quando assumi como mestre, a condição era deixar ao menos Urlack ser um NPC. Então resolvi fazer uma grande lenda, como disse acima. Urlack morreu sorrindo para sua melhor amiga, salvando-a de uma armadilha mágica . Morreu lentamente e suas últimas palavras foram “Vá menininha! Urlack está apenas muito cansado. Após dormir Urlack vai procurar você. Vá na frente. Urlack te encontrará logo”.

Foi a melhor cena que já narrei. Todos quase choraram e recebi um elogio no final da sessão pela excelente narração. Não tem preço ouvir de um dos meus amigos que viveram essa aventura, com um sorriso no rosto, me chamarem de “monstro” por ter matado Urlack. “Eles se lembram” é o que passa pela minha cabeça toda vez.

Paisagem

Agora é sua vez, mestres e jogadores. Criem histórias, lendas, heróis, mexa com os sentimentos, afinal, RPG é isto! A mais pura sensação de viver algo grande com seus amigos. Não temam a morte, o verdadeiro medo deveria ser a eternidade sem ter aquele sentimento de urgência de que hoje poderia ser o último dia em que você salvou alguém, o último amor que você compartilhou com seu companheiros, o último sorriso, a última bebida…

Morra heroi

E vocês galerinha? Quais histórias e experiências vocês tem para compartilhar? Comente aee!

É isso ae! Até cambada! 😉

  • Joseph

    No grupo onde jogo já presencie varias mortes, mas nenhuma delas foi bem vista pelo jogador (mesmo sendo por um bom motivo), no entanto as mortes geradas por brigas no grupo renderam muitas risadas e muita zuação entre os jogadores.

    A Morte dos personagens sempre foi algo delicado para o mestre, ele pode ficar sendo conhecido de forma negativa ou não, tudo varia da mentalidade dos jogadores.

  • Mortes geradas por brigas no grupo? hahaha Imagine essa frase fora de contexto do RPG.
    É por isso que eu digo para que os dados sejam sempre rolados abertos.

  • Depois de retornar ao mundo do RPG só tive um personagem que foi morto na mesa… Um Lionfolk Albino, um rei bárbaro chamado Adaar. Rei este que, por acidente, após acabar com uma rebelião em seu reino foi lançado mil anos a frente de seu tempo por uma magia selvagem.

    Enfim, a morte deste veio por fogo amigo, onde a ranger do grupo foi dominada por um feitiço e acertou um belo critico com o arco e flecha. Infelizmente não houve como salva-lo pois o combate ficou tão pesado que os 2 (dos 5 players) que ainda estavam vivos tiveram que bater em retirada.

    A mestre (sim uma menina XD) até hoje lamenta a morte do Austero Adaar

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  • Se não tiver um corpo aí complica no D&D. Mas jogo é jogo e tudo é possível! 😉