Precisamos falar sobre a garçonete…

6 de novembro de 2015

 

-Vocês entram na taberna, o que fazem?

-Eu peço uma mesa e três canecas de cerveja.

-Vou dar uma volta, checagem padrão dos bolsos alheios.

-Eu sento e abro o livro que encontramos para estudar.

-A garçonete é gostosa? 

 

Você riria dessa situação?

“E porque não?! Tão comum num mundo feito pela imaginação coletiva dos jogadores, não faria mal a ninguém dar uma “arrochada” na NPC bonitinha e até daria uma animada em algumas mesas.” Pensarão alguns ¬¬

 

Diante disso, caro leitor, faço uma segunda pergunta: com quantas mulheres/ garotas/ meninas/ algum ser de gênero feminino, já jogastes? E se for uma leitora, de quantas jogatinas participou?

conan004

 

Se você passou da primeira mão, parabéns, se passou da segunda…

chuck_approve

 

Em uma realidade (a nossa) onde as mulheres ocupam cada vez mais espaços em universos anteriormente exclusivos dos homens, seja na área do entretenimento ou, até mesmo na área profissional, a mesa de RPG continua a ser, dentre todos estes, um dos espaços menos procurados. Apesar de já existirem alguns grupos que promovam a participação feminina como o RPGirls (https://www.facebook.com/rpgirlslife), é complicado fazer uma comparação com a quantidade massiva de seres biologicamente masculinos no universo RPGístico.

Então venho com minha terceira pergunta, seria por uma falta de interesse do público feminino ou uma barreira historicamente criada? Algo como uma legítima muralha de escudos espartana…

Pode até mesmo não parecer, mas existem pessoas de todos os gêneros e/ou preferências sexuais interessadas em qualquer tipo de área, incluindo o RPG, entre elas. Porém o jeito que interpretamos nosso personagens, criamos nossas histórias e aventuras, a forma que damos a estes seres, frutos de nossas imaginações, infelizmente, continua a ser um tanto quanto preconceituoso. É simples, basta ver as “armaduras” de algumas personagens femininas (maior o decote, maior o bônus??) ou como é a garçonete o alvo dos “tapinhas de brincadeira” ou como sempre é uma princesa sequestrada…. por aí vai.

Pessoalmente, acredito que uma mudança vem acontecendo, basta ver eventos como o 1º Encontro de Mulheres RPGistas que rolou em março desse ano (https://www.youtube.com/watch?v=DSbVQ5YpmmM&feature=youtu.be) ou pelo aumento no número de histórias fantásticas com personagens femininas fortes e interessantes (eu ouvi alguém gritar Furiosa???).  Gosto até de acreditar que incentivo esta (JOGADORAS UNI-VOS!), afinal uma (r)evolução, grande necessidade cíclica humana, depende da diversidade e das mudanças ocorrerem.

E você, caro leitor, pense no que respondeu anteriormente e responda para você mesmo, no que você acredita? Caso seja uma leitora, por favor, nos faça ouvir sua voz.

 

         furiosa         less_armor

 

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Ps: Caso seu post ainda não apareceu publicado aqui no site, talvez ele se inclua na descrição feita acima e foi excluído, ou talvez o autor do texto do post queira te responder e ainda não teve tempo de elaborar seu texto-resposta com cuidado. Neste ultimo caso, basta aguardar alguns dias.

  • Macd

    Um sujeito entra na taverna para roubar os outros e você está mais preocupado com o “estuprador virtual” admirando as curvas da garçonete. Esse é o mundo de bosta que os SJW acreditam, mais fantasioso que qualquer RPG!

  • Rafael 47

    SJW?

  • Denis

    Não entendi muito bem qual o ponto central do post, mas de fato a descrição de mulheres sempre são muito sensualizadas e quando não, se tratam de criaturas que vão ter algum teor cômico ou sombrio. Assim como descrições dos homens se valem de seres com incrível porte atlético a não ser que se trate de um personagem com teor cômico e sombrio também. A ideia da garçonete que é filha de um taberneiro e que tem uma queda por forasteiros é um ponto para diversas aventuras e mesmo em RPGs protagonizados por mulheres elas existem frequentemente. Acredito que essas ideias são seja o que afasta o publico feminino desse universo.

  • Coppini

    OK, vamos por partes.

    Concordo completamente com o problema de armaduras femininas, realmente eh ridículo termos armaduras “sexy”, não faz sentido. Entretanto, cenários medievais fantásticos COSTUMAM refletir, ao menos parcialmente, o mundo medieval. Claro, muitas vezes tiramos problemas como a peste, a miséria e fome generalizada, o medo constante de bandidos, a falta de higiene completa, a bosta e mijo espalhadas pelas ruas… Muitos cenários “embelezam” o mundo medieval com reis bondosos, cavaleiros honrados, cidades belas e civilizadas.

    Entretanto, ainda jogamos em um cenário MEDIEVAL, e, aqui, tudo depende do Mestre/Narrador. Se ele quer embelezar a condição feminina, ignorar o machismo medieval e fazer da sociedade dele, no mundo fantástico DELE, um mundo com igualdade de gêneros, ótimo. Entretanto, se ele manter a condição feminina nos padrões medievais, então, independentemente dos valores dos Jogadores, o MUNDO vai ser machista. Mulheres VÃO ser submissas aos homens, guerreiras femininas VÃO ser raras e menosprezadas, as “donzelas indefesas em perigo” NÃO vão tentar fugir ou se defender e garçonetes VÃO ser abusadas nas tavernas.

    Personagens “normais” nesse mundo serão machistas, independente dos valores dos Jogadores ou mesmo do Narrador. Obviamente, diversos Jogadores vão criar personagens seguindo sua própria moral e código de conduta, e, portanto, criar personagens “não-machistas”, mas deve-se sempre lembrar que estes serão uma minoria no cenário. Ele tentar proteger a garçonete apalpada vai ser visto como algo totalmente sem sentido, inclusive pela própria garçonete e pelo dono do estabelecimento, já que a gorjeta da garçonete provavelmente seria ganha pelas apalpadas.

    TL;DR/Concluindo: Jogadores podem agir de forma machista, sim, em RPGs, mas deve-se sempre levar em conta o cenário de jogo antes de tudo, visto que, em certos cenários, a mulher como fraca e oprimida eh algo a ser esperado, e não por machismo dos Jogadores/Narrador, mas sim pela própria ambientação de jogo.

  • Battler

    “A e B são problemas. Com A sendo um problema, você não pode reclamar de B!”

    Qual o nome da falácia?

  • Luis Olavo Dantas

    SJW é a sigla de “Social Justice Warrior”, Rafa. Em essência, Macd está alegando excesso de correção política.

    Quando à questão do tópico, meu entendimento é que RPG de mesa tem como um de seus principais objetivos dar aos participantes a oportunidade de expressar conteúdos em um ambiente de fantasia perfeitamente controlado e, por que não dizer, seguro.

    Por essa perspectiva, cabe sim expressar fantasias escapistas e, por que não dizer, chauvinistas. É humano, compreensível e em minha opinião correto e saudável ter vontade de bancar o garanhão irresistível em uma situação dessas.

    Falando português claro: acontece sim de gente real ter essas vontades. E se não podemos admitir isso nem mesmo em ambientes completamente fictícios e controlados, o que nos resta? Reprimir constantemente? Não é exatamente saudável. E certamente não é recomendável evitar essas atitudes na fantasia para expressá-las na vida real, onde pessoas de carne e osso podem sofrer as consequências.

    A narrativa do RPG pode ser quase um psicodrama, um laboratório de expectativas sociais, inclusive modulado pelas características do ambiente. Fantasia serve para isso.
    Quem viu os primeiros episódios de “Lost” talvez se lembre de Jack anunciando em certo momento que, na ilha, todos tem a oportunidade de começar de novo. No RPG temos condição e, sim, permissão para nos libertar temporariamente das expectativas externas e papéis sociais que nos acompanham constantemente e vivenciar as sensações imaginárias e as consequências bioquímicas das fantasias que nos atraem ou de que sentimos necessidade. Não é algo para se menosprezar.
    Na ficção podemos assumir uma persona pervertida, corrupta ou anti-social simplesmente porque temos essa vontade. Mas as possibilidades do RPG vão além disso. Nele é possível tomar uma atitude que sabemos que é desastrosa e vivenciar as consequências sem que elas sejam inescapáveis ou particularmente sérias. Podemos passar por tragédias de todas as escalas e aprender com elas sem arriscar nossa vida real. Podemos ter discussões que de outra forma seriam amargas, aprender sobre perspectivas que podem ser difíceis de ouvir em outras situações.

    Especificamente quanto ao chauvinismo estereotípico que o Pedro apresenta na abertura deste tópico, penso que existem sim pessoas que podem falar algumas bobagens mais adultas (ou talvez apenas adolescentes) em uma situação de RPG como essa e nada de errado advir como consequência. Pode ser inclusive muito divertido, e até mesmo libertador. Não acho que seria excessivo dizer que pode trazer inclusive sabedoria, no sentido religioso da palavra.

    A chave está em ter uma compreensão clara e completa de qual é a proposta da sessão e quais são os limites aceitáveis e confortáveis para os envolvidos. Assim como certos filmes não se vê com a sobrinha de doze anos ou com a mãe, certos grupos de jogo tem boa aceitação para certas atitudes, mas não para outras. Costumo dizer que nada é mais diferente de um grupo de RPG do que outro grupo de RPG – o que talvez ajude a explicar por que meus gostos no gênero tendem a ser por sistemas com dificuldade de ampla aceitação comercial.

    Não quero que pensem que estou defendendo o chauvinismo como meta, mesmo que na fantasia. Não é isso. O que acho é que já que gente de carne e osso tem sim vontade de ter atitudes que nem sempre são aceitas, convém aproveitar o RPG para expressá-las e, quem sabe, entender melhor se e por que essas atitudes não devem ser aceitas. Pode ser um desafio interessante de RPG interpretar a garçonete que lida com um aborrescente que simplesmente não entende por que ela não quer ser a entrada número 354 no seu diário de conquistas vazias, ou por que ela se ofende de ser chamada de gostosa ou algo ainda mais baixo. Ou, quem sabe, a que _gosta_ de ser chamada assim. Certas coisas se entende e aprende melhor na fantasia do que na realidade, onde os riscos são mais altos e as experiências não podem ser contidas à nossa conveniência.

    Penso de fato que esse tipo de situação pode ter um efeito muito salutar na vida real. Por exemplo, pessoalmente acredito que muito do motivo pelo qual ainda existe grande desconforto e relutância de muitos em aceitar a existência do contínuo LGBTQI é a simples falta de noção de como lidar com ele. Já vi gente tentar argumentar que seria estranho uma criança cumprimentar dois pais ou duas mães. Não é um argumento válido, mas imagino que possa parecer válido para quem tem parâmetros de referência mais limitados e pode nem ter se dado conta de que está sim dentro das possibilidades humanas rever as expectativas e papéis sociais das gerações passadas. A mudança social é possível, e antes de mudar a realidade é um excelente exercicio questionar e experimentar com a fantasia e se perguntar quais são os limites reais e quais são os limites impostos pelo medo de questionamento, de ousadia, de coragem de sonhar e de transformar para melhor.

  • Pedro Quitete

    A ideia não é que seja o fato dos estereótipo machista existir que afasta as jogadoras, inclusive em alguns cenários, como o medieval, isso é algo esperado. A partir da observação de que existem poucas jogadoras, a ideia é se perguntar, será que reforçar essa ideia ao máximo, como muitas vezes é feito com itens e descrições, afasta o público feminino?? A ideia é questionar o leitor e fico feliz por sua opinião, acredito ser essencial uma discussão saudável 🙂

  • Pedro Quitete

    Ótimo ponto 🙂 sim, em alguns cenários para alguns mestres é esperado o comportamento machista, a questão levantada é: estamos exagerando?
    Nem todo mundo concorda nos limites entre a liberdade criativa e as atitudes, ou seja, é importante a conversa e o respeito mútuo entre jogadores e mestres. Outra pergunta é: será que deixar a situação assim, afasta o público feminino? Muitas tem até medo 🙁 é preocupante, por isso procuramos discutir, fazer todos se questionarem, para melhorar a situação 🙂

  • Pedro Quitete

    O que o texto tenta passar é exatamente a discussão dos limites dessa vontade de se expressar. Ao meu ver a conversa e o respeito são essenciais, nem todo mundo concorda nas fronteiras entre o aceitável na fantasia…. Pode até ser o alívio para vontades secretas, porém as vezes você pode ofender alguém como sua colega jogadora… Isso que tentamos discutir saudavelmente aqui, será que quando não definimos bem esses, afastamos as jogadoras? Será por isso que elas evitam as mesas?

  • Luis Olavo Dantas

    <>

    Realmente depende de qual seja o ambiente em que se passa a história. Mesmo no nosso período medieval você pode encontrar muitas variações de expectativa e estrutura social. Pode ser bastante gratificante explorar algumas das variantes fora do esperado, e muitas delas são realistas, até mesmo históricas.

  • Luis Olavo Dantas

    Desculpem, usei notação errada e não ficou claro que minha resposta anterior queria comentar este trecho da colocação do Coppini:

    “Ele tentar proteger a garçonete apalpada vai ser visto como algo totalmente sem sentido, inclusive pela própria garçonete e pelo dono do estabelecimento, já que a gorjeta da garçonete provavelmente seria ganha pelas apalpadas.”

  • Macd

    ISSO. Mil vezes isso. Sua postagem tem muito mais bom senso que esse texto.

  • Luis

    Desconfio que tu nunca tenha jogado com muitas mulheres não.

    Uma vez quase que tivemos que expulsar as moças da mesa porque elas estavam atrasando a campanha por quererem se engraçar por qualquer ser que usasse calças.

    Relaxem e aproveitem a diversão gurizada.

  • Jonas Matheus Sardena Peres

    “Diante disso, caro leitor, faço uma segunda pergunta: com quantas mulheres/ garotas/ meninas/ algum ser de gênero feminino, já jogastes? E se for uma leitora, de quantas jogatinas participou?”

    Eu tenho uma jogadora permanente na minha mesa, e já joguei com várias garotas.

    “Em uma realidade (a nossa) onde as mulheres ocupam cada vez mais espaços em universos anteriormente exclusivos dos homens, seja na área do entretenimento ou, até mesmo na área profissional, a mesa de RPG continua a ser, dentre todos estes, um dos espaços menos procurados. Apesar de já existirem alguns grupos que promovam a participação feminina como o RPGirls (https://www.facebook.com/rpgirlslife), é complicado fazer uma comparação com a quantidade massiva de seres biologicamente masculinos no universo RPGístico.”

    Isso é uma tentativa de dizer que a realidade de rpgistas é machista? Não vejo assim, afinal o hobby não é muito antigo e inicialmente até os anos noventa era algo praticado principalmente por nerds, um universo em que nessa epoca além de ter uma pequena participação feminina, ainda era considerado algo de “loser” nos EUA. É obvio que nesse tipo de cenário a participação feminina era quase nula, além disso se aplicar para os gibis. Naturalmente mesmo após a popularização do RPG, ainda seria bastante comparecido por homens, pois normalmente é associado a cultura nerd, e como algo que era ensinado no boca a boca seria o natural, que pessoas que aprenderam o hobby na adolescência iria praticar o hobby com seus amigos, o que causaria essa gigantesca população no hobby.

    “Então venho com minha terceira pergunta, seria por uma falta de interesse do público feminino ou uma barreira historicamente criada? Algo como uma legítima muralha de escudos espartana…”

    Tu simplesmente chutou isso de ser uma barreira historicamente criada? Como apontei acima além de ser um universo quase masculino onde as empresas teriam que investir naquilo que esses jovens iriam querer, é óbvio que os universos teriam coisas do interesse de homens. E como disse nos anos 90 houve uma explosão de diversificação de temas, mas quase todos referentes a temas de interesse da cultura nerd. Outro fator a considerar a ausência de mulheres é o possível dessinteresses das mesmas. E eu já apresentei o hobby a várias pessoas e muitas nem se interessaram, tanto homens e mulheres. Então o RPG é um hobby muito especifico, o que vai atrair um público determinado.

    “Pode até mesmo não parecer, mas existem pessoas de todos os gêneros e/ou preferências sexuais interessadas em qualquer tipo de área, incluindo o RPG, entre elas. Porém o jeito que interpretamos nosso personagens, criamos nossas histórias e aventuras, a forma que damos a estes seres, frutos de nossas imaginações, infelizmente, continua a ser um tanto quanto preconceituoso. É simples, basta ver as “armaduras” de algumas personagens femininas (maior o decote, maior o bônus??) ou como é a garçonete o alvo dos “tapinhas de brincadeira” ou como sempre é uma princesa sequestrada…. por aí vai.”

    Uma empresa deve investir no que vai dar retorno e maioria da população de rpg é formada por homens tu espera o que? E mais algumas coisas são para ser alívio cômico como as armaduras (ressalva que gostaria de ver o material onde isso é dito e o ano em que foi publicado), ou a princesa ser sequestrada que é um clichê bem legal de ser usado.

    E vamos analisar algo: são um grupo de pessoas que estão se reunindo para gastar seu tempo se divertindo com algum tipo de historia. Uma mesa que presa pelo realismo vai fazer o cenário medieval o mais semelhante possível a nossa realidade (e observação muitos cenários presam pela igualdade de gênero mesmo no período medieval), ou ser for um jogo de horror por cenas de mortes e violência realísticas.

    Segundo teu texto devo tratar as mulheres como sendo incapazes de suportarem uma partida onde coisas como dar uns amassão na garçonete de uma taverna medieval como algo horrível?

  • Leticia

    Sério, gente? Sério isso? Mesa de RPG agora precisa ser ocupada a todo custo e o jogo tem que ser todo politizado tbm?

    Se o jogo é machista ou não vai depender muito mais das pessoas que compõem o grupo de jogatina do que do jogo em si. Eu pelo menos nunca tive esse problema com os meus grupo, aliás, pelo contrário, sempre fui muito respeitada e bem recebida. Aliás, sentia-me mais livre e menos julgada junto com os caras do RPG do que com as minhas colegas de faculdade (curso com 90% de meninas), que me olhavam torto por não pentear o cabelo e não usar maquiagem.

  • Julio

    A pessoa que não está pronta para entender que assassinar, roubar, voar, invocar demônios ou anjos, dar o tapa na bunda da atendente da taverna ou na do atendente orc musculoso, fazer personagem mulher sendo homem na real, fazer trans ou o que for no jogo É SOMENTE PARTE DO RPG, não está pronto para jogar RPG. Então por favor, sem problematizar o rpgzinho!

  • Rafael 47

    Caramba Luis! Que legal saber que você teve oportunidade de jogar com um grupo com mais mulheres. Seria legal ouvir a opinião delas aqui também no post…

  • Rafael 47

    Oi Letícia! Legal! Mais uma pessoa que ama o RPG, assim como todos aqui. Seja bem vinda! 🙂

  • Rafael 47

    Boa Julio, vamos curtir o hobby de RPG, pois é para isso que estamos aqui! Abs!

  • Gabriel Bione

    As mulheres conseguiram liberdade pra jogar RPG então não tem nada impedindo elas de jogarem, elas que joguem. Não tem “exclusão social” nisso. Um cantinho ou outro ali de homens não deixaria uma mulher entrar na roda de RPG deles, mas isso é muito raro (não só porque o machismo reduziu muito nas últimas décadas, mas porque homem gosta de ter mulher por perto. E não, não é pra estuprar ou olhar pros quadris dela, é só porque gostamos de não ter que “respirar testosterona” o tempo todo e de ter uma figura bonita próxima). Não tem barreiras sociais. Lembrando, mas uma vez, que homens e mulheres não são construções sociais https://www.youtube.com/watch?v=G0J9KZVB9FM

  • Rafael 47

    Oi Gabriel! Sua contribuição foi fantástica! Adorei o vídeo (até onde eu assisti). Parabéns! Isso me fez lembrar de uma dissertação de Mestrado que aborda as discussões de gêneros em jogos de RPG: http://www.historias.interativas.nom.br/lilith/dissert/bettocchi-dissert.pdf

  • Pedro Quitete

    Jonas, obrigado pelas respostas e sua contribuição construtiva 🙂 vou tentar acompanhar seu ritmo
    1) Que bom cara! Fico muito feliz por isso, gostaria que todos os jogadores que conheci pudessem dizer o mesmo, me incluo nesse grupo.
    2) Não estou acusando ninguém, estou apenas colocando um ponto de vista. Assim como disse acima, conheci muito poucas jogadoras e jogadores que tiveram companhias femininas em seus grupos, concordo que a “bagagem histórica” do RPG seja um dos fatos por termos mais jogadores masculinos do que femininos e que o universo nerd talvez seja muito mais popularizado para o masculino, mas observo vários lugares comuns aos nerds e vejo a presença feminina crescente, o que não vejo na mesa do RPG, daí veio a pergunta seguinte…
    3) … será que por esse histórico, acabou-se criando uma ambiente que desencoraje a entrada de mulheres? (Daí a metáfora com a parede de escudos) Com relação as empresas, elas trabalham sim com público-alvo, faz parte da estratégia de negócios, então mudando um pouco a pergunta, será que as empresas ajudam a criar um ambiente que desencoraje a entrada feminina??
    Como um hobby muito específico, vai atrair um público específico, concordo nisso, só gostaria de ver se o público se sente desmotivado, é como se você estivesse louco para ver o show da sua banda favorita, mas não vai pois tem medo dos demais fãs da banda…
    4) Discordo do alívio cômico, citando um comentário recebido: “não entendo como reforçar estereótipos ajuda no jogo”. O material são ilustrações, tanto oficiais, quanto não oficiais, claro que não todas, mas diversas se utilizam de uma sensualização exacerbada para atrair o público… me atrevo a dizer que em boa parte do universo nerd.
    Analisando o final do seu texto: tudo depende realmente do grupo, da conversa sobre o cenário e, o mais importante, do respeito entre as pessoas. Não considero as mulheres incapazes, longe disso, apenas quero lembrar que as pessoas são diferentes, algumas mulheres ou mesmo homens podem achar essa cena absurda, daí vemos cenários com igualdade maior, as vezes, nem as mulheres, nem os homens se importam, daí temos cenários mais baseados na realidade medieval ou um horror grotesco… Isto é, só quero lembrar para os jogadores, independente de gênero, que o respeito e o diálogo são essenciais, tanto para combinar cenários, quanto para chamar mais pessoas para participar das jogatinas.

  • Pedro Quitete

    De fato Luis, em 12 anos de mesas de RPG joguei com quatro mulheres, ao total.
    Sempre teremos maus exemplos de todos os lados… também conheço uma situação chata, onde um jogador assediava outra jogadora que se recusara a seguir seu personagem 🙁 enfim, não existem pessoas perfeitas ou grupo de pessoas perfeitas, apenas vamos todos manter o respeito entre os jogadores independente do cenário combinado. 🙂

  • Pedro Quitete

    Olá Leticia! Fico muito feliz com sua contribuição 🙂

    Quanto a politização, é complicado, pois somos seres humanos, somos politizados… não quero julgar ou acusar ninguém, afinal quem seria eu para poder fazer isso? Um belo dum zé ninguém xD Só fico na dúvida se com o tempo acabaram criando barreiras para jogadoras e por isso que temos poucas, claro que eu posso estar completamente errado, afinal, só tenho meu ponto de vista, por isso que fiz o texto, descobrir o ponto de vista de quantas pessoas puder 🙂

    Concordo com você sobre o ambiente do jogo, depende muito mais do grupo. Desde que todos se entendam e mantenham o respeito tudo fluirá legal 🙂 Aliás, bato palmas para seus colegas de mesa, fica o recado para vocês todos: Continuem assim galera! Não deixem a jogatina parar!

  • Pedro Quitete

    Olá Gabriel! Concordo com o Rafa, valeu pela contribuição construtiva 🙂
    Realmente, “exclusão” não seria a palavra, mas sim “complicação”. Minha dúvida é se o ambiente que criou-se, seja por fatores históricos ou até mesmo financeiros, quando falamos de empresas que produzem jogos e imagens, é difícil para a entrada de jogadoras ou a permanência delas. Graças a comentários como o seu, vejo que a situação é melhor do que imaginava através do meu simples ponto de vista 🙂

  • Felipe

    Acho que seria legal você pontuar que não é o jogador que vai agir de maneira machista, o personagem é que vai. Isso é que faz toda diferença, é mostrar que não está reforçando uma cultura escrota.

  • Pedro Quitete

    Opa Felipe! Exatamente a ideia 🙂 o personagem pode até ser machista ou algo pior, dependendo do cenário, o importante é manter o respeito entre os jogadores. O questionamento feito no texto é pelo receio de deixar o “ambiente do jogo” influenciar na mesa, fazendo comportamentos ruins aflorarem entre jogadores e isso impedir que pessoas interessadas deixem de jogar. Valeu pelo comentário!

  • Rafael 47

    Concordo Pedro. Quando uma pessoa vê um jogador interpretando seu personagem, ela pode confundir como sendo os valores morais de um jogador e não de seu personagem. Quem vê o jogo de fora não percebe logo de cara que é um teatro e pode fazer essa confusão. Por isso o respeito entre os jogadores é importante, para reforçar que é um jogo e não vida real.

    Mas isso não pode acontecer só no RPG, na verdade já acontece em todo o lugar com tudo que gostamos de fazer.
    Por exemplo, nos Jogos Digitais, os jogadores mais assíduos se autodenominam “gamers”. Existe uma série de comportamentos por trás disso que pode prejudicar como o hobby é percebido por outras pessoas. É justamente esse comportamento (de alguns jogadores) que afastam os novos jogadores ou pessoas curiosas, e até pior, quando acusam o jogo de causar algum mal para a sociedade…

    Enfim, se quiserem ver os vídeos (curtos) sobre isso, aqui vai uma lista. É bem divertido de ver!
    https://designinggames.wordpress.com/aprendizado-informacao/extra-credits/melhorando-ou-evitando-que-piorea-imagem-dos-jogos-e-jogadores/