Mistério, Perigo, Adubo: “The Veggie Patch”, o RPG em que o mundo é uma horta

11 de fevereiro de 2017

O que é

The Veggie Patch (tradução aproximada: “A Horta”) é um RPG compacto (PDF de 42 páginas) e definitivamente original, onde os PCs são hortaliças que recentemente adquiriram mobilidade e consciência, sendo capazes inclusive de operar armas (como por exemplo pregos) e ferramentas, fazer excursões no mundo desconhecido “lá fora” e até mesmo manter uma economia própria.

Mais ambicioso e claramente voltado a pessoas mais velhas do que o “Mermaid Adventures” que descrevi anteriormente, “The Veggie Patch” aproveita bem seu texto, apresentando uma sociedade com uma história definida, facções sociais e políticas e até mesmo mistério e intriga. Alguns poucos NPCs e ganchos de aventura também são incluídos. É um RPG com muito mais possibilidades, ação e tensão do que o tema faz parecer à primeira vista.

Também tem certo potencial educacional, pois inclui razoável quantidade de informação botânica e agrícola como parte do ambiente. Com um mínimo de esforço, hortaliças novas ou regionais podem ser adaptadas ao mundo de jogo. Ou mesmo novas espécies “vilãs”; não vou especificar quais já existem no livro porque quero preservar a surpresa. Há também um bestiário que, naturalmente, inclui tanto vegetais quanto animais.

O autor, Jason Anderson, não parece ter outros créditos no campo de RPG. Fiquei surpreso em saber, dada a qualidade do material.

Como é

Se “Mermaid Adventures” era bem escrito para sua proposta, o mesmo pode ser dito com talvez mais motivo ainda de “The Veggie Patch”. Bem entendido, as propostas são bem diferentes; “Patch” inclui temas de violência, mortalidade e intoxicação e claramente tem a intenção de ser usado para uma faixa etária maior do que a de “Mermaid”, talvez por volta dos catorze anos. Pensei inicialmente que fosse um RPG para crianças, e ainda acredito que serve bem como primeiro RPG para jogadores mais jovens, mas definitivamente serve para jogadores adultos inclusive.

Minha maior surpresa foi o nível de estrutura de apoio ao narrador presente no livro. 15 das 42 páginas do PDF são material exclusivo para o narrador, que não pode ser disponibilizado para os jogadores. Nele temos muito da “história secreta” do ambiente, apresentado com grau suficiente de detalhe para a condução confortável de uma campanha, além de sugestões de aventuras e até mesmo de adaptação para outras campanhas em outros ambientes e gêneros de RPG.

As três últimas páginas são a matriz da ficha de personagem e quinze ilustrações (em preto-e-branco) prontas para fotocopiar, recortar e colar nas fichas dos jogadores, representando toda a variedade de espécies vegetais disponível aos PCs. Em ordem alfabética em português coloquial, essas espécies incluem abóboras, abobrinhas, alfaces, alhos-porrós, aspargos, batatas, cebolas, cenouras, ervilhas, feijões, milho, pimentas ou pimentões, rabanetes, tomates e uma décima-quinta espécie (“broad beans”) que pode ser interpretada como “vagens” ou “favas” conforme a conveniência do narrador.

O que é preciso

O narrador, naturalmente, precisa ler com certa dedicação todas as 42 páginas do PDF. Os jogadores precisarão de algum tipo de apresentação ou tradução do conteúdo das páginas 4 a 24. Uma meia dúzia de dados comuns de seis faces também será necessária, bem como cópias da ficha de personagem, que é bastante simples, legível e fácil de traduzir.

Onde encontrar

O sistema é um PDF de 42 páginas que custa no máximo cinco dólares no sítio DriveThruRPG; em seu irmão gêmeo RPGNow; ou no Warehouse 23.


Escrito por Luis Olavo em 2017-Fev-11; publicado inicialmente no blog da equipe RPGNext.