Abordagens DESCRITIVA e ATIVA dentro do Roleplaying (e nos Podcasts de RPG)

30 de setembro de 2015

Olá pessoal!

Com o início das gravações dos Podcasts do RPG Next,  passei a ouvir vários outros Podcasts de RPG em busca de dicas e inspirações. Confesso que grande parte deles tem uma qualidade suficiente para me manter preso e querer ouvir mais depois… MAS uma coisa ainda me incomoda muito: o Balanceamento entre as abordagens DESCRITIVA e ATIVA dentro do Roleplaying.

 

Roleplaying

 

Antes de eu citar alguns EXEMPLOS, primeiramente, para facilitar a explicação, vale a pena transcrever aqui o que se encontra no Player’s Basic Rules Version 0.3 pág. 66 ou no Player’s Hadbook pág. 185. [tradução do autor]

 

Começando pela Abordagem DESCRITIVA:

Roleplaying (Interpretação de papéis)

(…) Existem dois estilos que você pode usar quando interpreta o papel de seu personagem: a abordagem descritiva e a ativa. A maioria dos jogadores usam uma combinação dos dois estilos. Use qualquer mistura dos dois que funcionar melhor para você.

Abordagem DESCRITIVA em Roleplaying

Com esta abordagem, você descreve as palavras do seu personagem e ações para o DM e os outros jogadores. Baseando-se em sua imagem mental de seu personagem, você diz a todos o que seu personagem faz e como ele ou ela faz isso. 

Por exemplo, Cristian joga com o Tordek, o anão. Tordek tem um temperamento explosivo e culpa os elfos da Cloakwood pela a desgraça de sua família. Em uma taverna, um detestável elfo bardo senta-se à mesa de Tordek e tenta iniciar uma conversa com o anão.

Cristian diz: “Tordek cospe no chão, rosna um insulto para o bardo, e anda até o bar. Ele se senta em um banquinho e olha para o bardo antes de pedir outra bebida.

Neste exemplo, Cristian transmitiu o humor de Tordek e deu ao DM uma ideia clara de atitude de seu personagem e ações.

Ao usar a abordagem descritiva, tenha as seguintes coisas em mente:
• Descreva as emoções e atitudes de seu personagem.
• Concentre-se nas intenções do seu personagem e como os outros poderão perceber isso.
• Forneça o máximo de embelezamento o quanto você se sentir confortável.

Não se preocupe em fazer as coisas exatamente corretas. Somente se concentre em pensar sobre o que seu personagem faria e descreva o que você vê em sua mente.

Essa abordagem é bastante comum de se ouvir nos Podcasts de gravações de partidas de RPG pelo fato, acredito eu, de que no ÁUDIO não é possível visualizar o que cada jogador faz ou atua com o corpo, ou é mais fácil e natural de se fazer dessa forma descritiva.

 

No entanto, EU DISCORDO PARCIALMENTE DESSE ARGUMENTO! Irei demostrar mais adiante, com exemplos, que é possível mudar isso, mas antes…

Vejamos agora então a explicação da Abordagem ATIVA:

Abordagem ATIVA em Roleplaying

Se roleplaying descritivo diz ao DM e a seus jogadores o que seu personagem pensa e faz, o roleplaying ativo mostra-o.

Quando você usa roleplaying ativo, você fala com a voz do personagem, como um ator assumindo um papel. Você pode ainda imitar movimentos do seu personagem e linguagem corporal (1). Essa abordagem é mais imersiva do que o roleplaying descritivo, embora você ainda tenha que descrever coisas que não podem ser razoavelmente demonstradas.

Voltando ao exemplo de Cristian interpretando Tordek acima, é assim que a cena poderia ser atuada se Cristian usasse o roleplaying ativo:

Falando como Tordek, Chris diz em uma voz rouca, profunda, “Eu estava me perguntando por que de repente cheirava horrível aqui. Se eu quisesse ouvir algo de você, eu iria quebrar seu braço e desfrutar de seus gritos.” (2) Em sua voz normal, Chris, em seguida, acrescenta: “Eu me levanto, encaro o elfo, e vou para o bar.” (3)

Observe que eu fiz 3 marcações ao final de cada frase sublinhada acima.

  • A frase nº (1) – Acredito ser um dos motivos principais que justifica o uso maior da abordagem descritiva em Podcasts de gravações de partidas de RPG.
  • As frases nº (2 e 3) – Demonstram claramente a mistura entre as abordagens descritivas e ativas.

MAS se você estiver se indagando agora: “Não é exatamente essa mistura que os Podcasters fazem ao gravarem as partidas de RPG?”

SIM, eles fazem essa mistura, mas de forma desbalanceada, pendendo mais para o descritivo, na minha opinião!

 

claquete

 

Agora vamos a alguns EXEMPLOS bem comuns que eu ouço nos PODCASTS de PARTIDAS DE RPG:

  1. [ABORDAGEM DESCRITIVA] O Jogador diz: “Eu saco minha espada, e ataco o Goblin…”
  2. [ABORDAGEM MISTA] O Jogador diz: “Eu me levando da mesa, olho para o rapaz que se encontra no fundo da sala segurando um livro na mão e pergunto para ele em voz alta”. Aí o Personagem diz: “Ei você, venha até aqui, preciso conversar contigo…”.
  3. [ABORDAGEM MISTA] O Jogador diz: “Eu respiro fundo, fico nervoso, me levanto e digo tentando me controlar”. Aí o Personagem diz: “Saia daqui antes que eu te mate…”.

Agora veja como tudo isso poderia ser feito de forma ATIVA mesmo estando apenas ouvindo um áudio, ou seja, sem poder observar as reações físicas dos jogadores:

  1. [ABORDAGEM ATIVA] O Jogador não precisa dizer nada, apenas seu Personagem: “Aaahhh Goblin maldito! Sinta a dor que minha lâmina pode causar em você… arrrhhgg…”.
  2. [ABORDAGEM ATIVA] O Jogador não precisa dizer nada, apenas seu Personagem: “EI… EI!!! VOCÊ AÍ NO FUNDO SEGURANDO UM LIVRO… VOCÊ MESMO! VENHA ATÉ AQUI… ANDA!… PRECISO CONVERSAR CONTIGO…”.
  3. [ABORDAGEM ATIVA] O Jogador não precisa dizer nada, apenas seu Personagem: [o jogador respira fundo], [então o jogador solta o ar forte pela boca]… “SAIA…. DAQUI…. ANTES QUE…………………. eu te mate!”.

Não parece difícil, certo? Mas acredito que com um pouco de prática é possível os jogadores chegarem nesse nível de interpretação. É por isso que defendo essa ideia de balancear melhor para a abordagem ATIVA ao invés da descritiva em roleplaying gravados em Podcasts (ou até numa mesa de jogo!)

😀

Gostou desse assunto? Por favor, deixe o seu comentário caso você concorde, discorde, ou se tiver alguma solução em mente diferente e queira compartilhar!

Abraços!